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Intermidialidade, estética e política no cinema chinês de Jia Zhang-ke

Resumo

A Bolsa Jovem Pesquisador em Centros Emergentes permitirá a criação de uma nova linha de pesquisa na UNIFESP Campus Guarulhos, dedicada ao desenvolvimento e à aplicação de um conceito original de intermidialidade cinematográfica. Em um primeiro momento, as hipóteses serão lançadas a partir da obra do diretor chinês Jia Zhang-ke, e no curso da pesquisa poderão ser testadas a partir da obra de outros diretores. Jia é considerado o maior expoente da "sexta geração" do cinema chinês, também conhecida como a "geração urbana" por seu enfoque na vida e na paisagem das cidades de seu país. Gostaria de sugerir que sua obra procura responder à nova conjuntura histórico-social da China através de uma estética original, que nasce do problema da intermidialidade, aliado a um impulso autoral e realista. Isso significa que, por um lado, seu cinema se define pela crença de cunho baziniano na vocação natural da arte cinematográfica pelo realismo, o que transforma sua câmera em uma fonte de poder. Por outro lado, esse enlace com o real ocorre também através de recursos estéticos encontrados em outras tradições artísticas chinesas, tais como a pintura e a arquitetura. A pesquisa investigará então de que modo os termos "intermidialidade" - que aponta para o entrecruzamento do cinema com as outras artes - e "realismo" e "autoria" - normalmente associados à sua especificidade - se misturam no cinema de Jia Zhang-ke. Essa mistura, que cria suas próprias regras, afina-se a um regime estético das artes, nos termos de Jacques Rancière, e deriva sua força da criação de um dissenso, que reúne os impulsos realista e autoral dessa intermidialidade crítica em um impulso político, produto da interação entre a História e a Poesia. (AU)

Matéria(s) publicada(s) na Revista Pesquisa FAPESP sobre o auxílio::
Os olhos da China 
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Com Ciência: O cinema de Jia Zhangke (12/Mar/2021)