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No limiar do silêncio e da letra: traços da autoria em Clarice Lispector

Processo: 12/01679-4
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de junho de 2012 - 31 de maio de 2013
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Letras - Teoria Literária
Pesquisador responsável:Maria Lucia Stacchini Ferreira Homem
Beneficiário:Maria Lucia Stacchini Ferreira Homem
Instituição-sede: Faculdade de Comunicação e Marketing. Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Silêncio  Autoria  Psicanálise  Literatura 

Resumo

O campo da literatura é o campo da mimesis. Para que esta ocorra é necessário um objeto passível de ser representado, um sujeito que a exerça, uma linguagem que a viabilize e, ainda, um leitor que a receba. O objeto a ser recriado pode ser real ou virtual, o meio de sua recriação é a palavra. Palavra que busca transpassar o enigma do real. Ao longo dos tempos, constituíram-se diversas formas de representação, variando, de maneiras diferentes, as diversas instâncias narrativas. Essa variação esteve atrelada à concepção de sujeito e de possibilidade de uso da linguagem que ganhava corpo em determinado momento da arte e da literatura. Clarice Lispector insere-se nessa história e tradição. O sujeito uno, racional e esclarecido, "autor" que começa a se esboçar na transição para a modernidade, em linhas gerais, tinha como ferramenta uma linguagem quase transparente a fim de delinear a paisagem que se apresentava a seus olhos. No entanto, com o passar dos séculos, esses pólos foram se complexificando. O sujeito revelou-se descentrado, fragmentado, desconhecido de si próprio. Quem narra? Passou-se a desconfiar da palavra. Pôr em palavras é aniquilar o objeto? Seria melhor calar o que não se pode dizer? O objeto desvela sua opacidade, sua estranheza. O que seria passível de representação? São essas as questões - privilegiadas neste trabalho - que animam a obra clariceana, notadamente seus últimos romances: Água viva, A hora da estrela e Um sopro de vida. A própria forma do romance contemporâneo segue paralela e se alimenta dessas questões. O romance estruturalmente clássico - que visava representar o universo subjetivo do herói individualizado que nasce com a modernidade - fica estremecido em suas bases sólidas e já estabelecidas. Acentua-se uma maneira de compor em que personagem, narrador e autor se interceptam continuamente e na qual o silêncio aparece como ponto de fuga do enquadre narrativo, vórtice que parece arrastar o próprio movimento da escritura. O pacto ficcional se altera, o jogo entre silêncio e palavra se revela - pontos centrais dos romances em questão, que serão enfocados na interface literatura / psicanálise. (AU)