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Pesquisa de anticorpos contra estruturas citoplasmáticas do neutrófilo (ANCA) e contra o Saccharomyces cerevisiae (ASCA) na doença inflamatória intestinal

Resumo

Recentemente vem ocorrendo um interesse na pesquisa de auto-anticorpos na doença inflamatória intestinal (DII), sendo ANCA (anticorpo contra estrutura citoplasmática do neutrófilo) e ASCA (anticorpo contra o Saccharomyces cerevisiae) os mais estudados. A freqüência do pANCA na retocolite ulcerativa inespecífica (RCUI) tem variado de 23% a 89% e, na doença de Crohn (DC), de 5% a 38% . Em controles sadios a prevalência é inferior a 4%. No Brasil, o tema tem sido pouco explorado e os resultados iniciais, com pequena casuística e publicados mais sob a forma de abstracts, têm sugerido freqüência do pANCA ou ANCA entre 47 e 66% na RCUI. É interessante notar que, em alguns grupos populacionais, a prevalência do pANCA, habitualmente maior na RCUI do que na DC, foi semelhante nas duas doenças ou extremamente baixa na RCUI, sugerindo possíveis diferenças metodológicas e/ou genéticas. Estas discrepâncias têm estimulado vários grupos de estudo da DII a realizar pesquisas envolvendo os marcadores sorológicos da DII, utilizando-se metodologia confiável e número de indivíduos adequado. No caso da DC, o anticorpo contra o Saccharomyces cerevisiae (ASCA) tem sido apontado como possível marcador sorológico da doença. Sua freqüência, na DC, tem oscilado entre 35 e 80% e, na RCUI, entre O e 27%. Em indivíduos normais, a freqüência do ASCA não ultrapassa 10%. Como no caso do pANCA, a prevalência do ASCA pode sofrer interferência de variações metodológicas e, provavelmente, genéticas. É possível que a avaliação concomitante do pANCA e do ASCA possa incrementar sua sensibilidade e especificidade no diagnóstico da DII, além de revelar correlações clínicas. Assim, no presente trabalho, objetiva mos avaliar simultaneamente os dois marcadores em pacientes com diagnóstico de RCUI e DC, no sentido de estabelecer sua sensibilidade e especificidade e possíveis correlações clínicas. O trabalho será feito com casuística relevante e incluirá controles sadios. Materiais e Métodos Serão estudados cerca de 50 pacientes com DC, 50 pacientes com RCUI e 30 a 50 pacientes sem qualquer tipo de doença inflamatória ou auto-imune. O estudo ocorrerá através da determinação sérica dos marcadores pANCA e ASCA. A amostra será inicialmente colhida no laboratório do Instituto Central e depois encaminhada ao laboratório de Reumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (UM 017), onde será executada a análise dos marcadores. Para a determinação do ANCA, anticorpos anticitoplasma serão detectados por técnica de imunofluorescência indireta, utilizando neutrófilos fixados com etanol/formol como substrato. Para a determinação do ASCA, anticorpos contra o Saccharomyces cerevisiae (IgG e IgA), serão detectados através da técnica de enzima imunoensaio utilizando kit comercial Inova Diagnostics, San Diego, CA, USA. Através da revisão de prontuários será realizada avaliação clínica dos pacientes com DC e RCUI, analisando-se aspectos relativos ao sexo, idade, localização da doença (proctite, proctosigmoidite, colite esquerda, pancolite, envolvimento do intestino delgado), manifestações extra-intestinais, atividade da doença (ativa ou em remissão) e uso de medicações (derivados salicílicos, esteróides e imunossupressores), elementos estes avaliados no período em que forem dosados os marcadores estudados. (AU)