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Michel Marie | Université Paris III - França

Processo: 06/02527-2
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Pesquisador Visitante - Internacional
Vigência: 20 de fevereiro de 2007 - 19 de agosto de 2007
Área do conhecimento:Ciências Sociais Aplicadas - Comunicação
Pesquisador responsável:Fernão Vitor Pessoa de Almeida Ramos
Beneficiário:Fernão Vitor Pessoa de Almeida Ramos
Pesquisador visitante: Michel Marie
Inst. do pesquisador visitante: Université Sorbonne Nouvelle - Paris 3, França
Instituição-sede: Instituto de Artes (IA). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Assunto(s):Cinema  Cinema novo  Teoria do cinema  Documentário cinematográfico 

Resumo

Podemos dizer que aquilo que caracteriza os "novos cinemas", que surgiram ao final dos anos 50 e início dos anos 60, é o deslocamento da fronteira entre o cinema documentário e o cinema de ficção. Durante a estadia do Prof. Michel Marie, buscaremos analisar esse fenômeno, inter-relacionando três produções nacionais: no Brasil, na França e no Quebec. Serão estudadas a evolução interna das práticas de realização desses três países, assim como a circulação de diretores, fotógrafos, técnicos e técnicas entre os três países. Será dado destaque para o intercâmbio França/Quebec mas a pesquisa será direcionada também ao Brasil, onde esperamos produzir material inédito. 1) No Brasil o início dos anos 60 é marcado por uma efervescência, tanto política quanto cultural. Uma nova geração oriunda dos cineclubes e do movimento estudantil consegue produzir filmes atípicos e lançar um cinema pessoal e original, chamado de "Cinema Novo", que pode ser considerado como um dos principais movimentos de "descolonização" da cultura brasileira. O projeto de pesquisa irá se deter especialmente sobre Os Cafajestes de Ruy Guerra e os primeiros longas-metragens de Glauber Rocha, Joaquim Pedro de Andrade, Carlos Diegues, Leon Hirszman, Paulo César Saraceni, Arnaldo Jabor, com recorte analítico voltado para a oposição ficção/documentário. Também serão igualmente levados em consideração os filmes especificamente documentários de Maurice Capovilla, Géraldo Sarno, Vladimir de Carvalho e Jorge Bodansky. 2) Na França, é o itinerário de Jean Rouch, etnólogo que se tornou cineasta, que servirá de fio condutor à análise dos deslocamentos operados no campo do cinema/ficção. O trabalho desse diretor terá uma influência notável sobre a nova definição da modernidade cinematográfica dos diretores da Nouvelle Vague, como Jean-Luc Godard, Eric Rohmer e Jacques Rivette. Essa idéia é desenvolvida, em particular, por Eric Rohmer em um texto famoso «Le Goût de la beauté», em que toma como referências do cinema moderno, "La proie pour l’ombre" d’Alexandre Astruc, "Les Godelureaux" de Claude Chabrol, "La Pyramide humaine" de Jean Rouch e "Exodus" d’Otto Preminger (Cahiers du cinéma n° 121). Mas, o aspecto documentário encontra-se igualmente presente nos filmes precursores de Jean-Pierre Melville ("Le Silence de la mer") e Agnès Varda ("La Pointe courte", "Cléo de 5 à 7"). 3) No Quebec, nos anos 50, anos da «Grande Noirceur», de Maurice Duplessis, a situação quase colonial, é marcada pela fraqueza e mesmo pela inexistência de um cinema francofônico, salvo algumas exceções (La Petite Aurore). Mas, em 1956, o Office National du Film (O.N.F.) é transferido de Ottawa para Montréal e sua 'equipe' francesa desenvolve-se de maneira espetacular. A atmosfera é aquela de um renascimento cultural e de uma identidade que desemboca numa reivindicação política, com o movimento "independentista". É nesse momento que Pierre Perrault, advogado originário da radio, começa a sua série documentária "Au Pays de Neufve France". Mas, é um curta-metragem de 17 minutos produzido pelo ONF en 1958, Les Raquetteurs, que se encontra na origem do cinema direto, estilística para onde iria desembocar o cinema documentário na década seguinte. Esse Projeto de Pesquisa, propõe-se, analisar as interações culturais entre essas três cinematografias, a circulação de filmes, cineastas, estilos e ideias, de um continente ao outro. Levantaremos as leituras críticas que são operadas nos três países, em torno da incidência da nova estilística do cinema documentário sobre a produção ficcional do novo cinema que emerge no Canadá, na França e no Brasil. A parte conceitual do projeto será baseada no texto "Definição de Campo e Horizontes Metodológicos do Cinema Documentário", presente no Projeto Temático "Teoria e História do Cinema Documentário" (em anexo), em fase de avalição pela FAPESP (AU)