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A cidade como uma performance de cidadania

Processo: 09/16038-1
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Pesquisador Visitante - Internacional
Vigência: 01 de março de 2010 - 31 de agosto de 2010
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Antropologia - Antropologia Urbana
Pesquisador responsável:Ronaldo Romulo Machado de Almeida
Beneficiário:Ronaldo Romulo Machado de Almeida
Pesquisador visitante: Derek Pardue
Inst. do pesquisador visitante: Washington University in St. Louis, Estados Unidos
Instituição-sede: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Vinculado ao auxílio:98/14342-9 - Centro de Estudos da Metrópole (CEM), AP.CEPID
Assunto(s):Cultura popular  Cidadania  Identidade  Hip hop  Brasil 

Resumo

Por mais de um século pesquisadores, políticos, ativistas comunitários e moradores têm desenvolvido uma série de ideologias e teorias para explicar a cidade. Recentemente, os demógrafos anunciaram que nós, seres humanos, somos uma espécie majoritariamente urbana. Os antropólogos, essencialmente pelo caráter de sua profissão, que envolve ativa pesquisa de campo e articulação de teoria social e história cultural, ocupam um lugar estratégico nestes debates ao avaliar os significados da cidade e sua dinâmica cotidiana. Na época contemporânea o que se destaca nas cidades é menos a ligação relativamente fixa entre a pessoa ou família com a classe social pelo emprego (ou falta de) e mais uma relação complexa entre a estrutura social de categorias, tais como classe, raça, gênero, sexualidade, idade, religião, região, maneira de falar, a imaginação e a performance de identidades. Visto assim, a importância da cultura popular emerge como algo central, não somente em termos econômicos, mas em termos de investimento intencional por parte das pessoas. Elas, como na maior parte das cidades como São Paulo, Lisboa, Paris, Londres, Nova Iorque, etc., possuem poucos recursos para serem reconhecidas como "alguém" com valor e "capital social". Às vezes, esta performance tem suas raízes no bairro, outras vezes se manifesta num circuito translocal ou transnacional. As dimensões de identidades se refletem na construção atual das cidades. Discursos e projetos como multiculturalismo, bilinguismo, interculturalidade, diáspora, globalização, educação alternativa, e "pontos de cultura" tentam abordar esse paradigma de socialização. Sabemos que a situação tem criado um questionamento do conceito de cidadania aos níveis local e nacional. Também sabemos que esses debates têm resultado em não somente novas leis e campanhas culturais, mas também em conflitos até violentos, sejam físicos, como a violência entre agentes do estado e o povo, seja simbólico, como a negação de idiomas, costumes, religiões, etc. como "brasileiros" ou "americanos"; e ainda espaciais, e.g. segregação de bairros, falta de serviços básicos do estado. A questão principal é como podemos entender as expressões de identidade em relação aos discursos e políticas atuais de cidadania? A cidade, por sua vez, é excelente lugar para investigar tais relações. Ela é o palco e o "drama" de cidadania; ela é o campo e a luta, em si, para reconhecimento e legitimação de ser e ter um espaço na sociedade. Em resumo, a cidade, em suas formas arquitetônicas, políticas, legais e em seus networks sociais é o exemplo mais visível e empírico de cidadania em ação. (AU)