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Escolher o bem: 'to haireton' na ética grega antiga

Processo: 12/01117-6
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Pesquisador Visitante - Internacional
Vigência: 01 de julho de 2012 - 31 de dezembro de 2012
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Filosofia - História da Filosofia
Pesquisador responsável:Marco Antônio de Ávila Zingano
Beneficiário:Marco Antônio de Ávila Zingano
Pesquisador visitante: Alfonso Correa Motta
Inst. do pesquisador visitante: Universidad Nacional de Colombia (UN), Colômbia
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Vinculado ao auxílio:09/16877-3 - Filosofia grega clássica: Platão, Aristóteles e sua influência na Antiguidade, AP.TEM
Assunto(s):Filosofia grega  Ceticismo  Aristotelismo  Platonismo 

Resumo

O projeto faz parte das atividades do projeto temático Filosofia Grega Clássica (2009/16877-3). Em termos gerais, a investigação se ocupará de um dos traços característicos do bem: o fato de ser elegível ou elegido (to haireton). Esta característica foi aceita por boa parte dos filósofos gregos antigos. A crítica especializada parece estar de acordo que foi Eudoxo quem por primeiro introduziu este tema. Para sustentar sua tese que o prazer é o bem, ele se baseou na premissa que todos (inclusive os animais) perseguem ou buscam o prazer. As reações a esta tese podem ser reconstruídas com base no tratado sobre o prazer da Ética Nicomaqueia, de Aristóteles, bem como no Filebo. No primeiro caso, encontramos tanto uma apresentação sumária dos argumentos anti-hedonistas esgrimidos por Espeusipo, como uma refutação desses argumentos por Aristóteles. O Filebo, por sua vez, que faz ao menos uma vez uma referência explícita aos argumentos de Eudoxo, atribui ao prazer uma posição secundária na estrutura da felicidade, com base no que refuta a identidade proposta por Eudoxo entre prazer e bem. Apesar destas críticas, nem Platão nem Aristóteles colocaram em dúvida a pertinência do "haireton" para caracterizar o bem. A única crítica a esta noção, a meu conhecimento, que se elaborou na Antiguidade se encontra na obra de Sexto Empírico. O terceiro livro das Hipotiposes Pirrônicas e o décimo primeiro do Adversus Mathematicos incluem um arsenal de argumentos que buscam demolir a noção mesma de bem. Alguns destes argumentos se concentram, precisamente, na demonstração da debilidade de seu suposto caráter de elegido ou elegível. Estes argumentos não estão dirigidos diretamente contra as propostas éticas de Platão ou Aristóteles, mas sim em principio contra teorias estoicas que, consequentemente, também seguiam o caminho inaugurado por Eudoxo. Minha investigação buscará revisar alguns dos pontos de referência desse caminho. Tentarei caracterizar os detalhes que estão implicados nos diversos tratamentos de Äx ±1ÁµÄ̽, assim como a importância que esta noção tem, em cada caso, para os respectivos desenvolvimentos éticos. Os textos básicos de análise são o Filebo, a Ética Nicomaqueia, as Hipotiposes Pirronianas e os Adversus Mathematicos. (AU)