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Arquitetura evanescente: o desaparecimento de edifícios e a historiografia da preservação no Brasil

Processo: 13/05080-2
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de junho de 2013 - 31 de maio de 2015
Área do conhecimento:Ciências Sociais Aplicadas - Arquitetura e Urbanismo - Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
Pesquisador responsável:Fernando Atique
Beneficiário:Fernando Atique
Instituição-sede: Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH). Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Campus Guarulhos. Guarulhos , SP, Brasil
Assunto(s):História da arquitetura  Edificações  Historiografia  Rio de Janeiro 

Resumo

A pesquisa intitulada "Arquitetura Evanescente: o desaparecimento de edifícios e a historiografia da preservação no Brasil" procura compreender como duas edificações consideradas chave para o entendimento da vida urbana, política e social, mas também para a arquitetura, stricto sensu, do Brasil da primeira metade do século XX, desapareceram, mas, curiosamente, se tornaram referenciais na historiografia da área, nos últimos anos. Em específico, estuda-se o Palácio Monroe, projetado por Marcelino de Souza Aguiar (1855-1935) e erigido pelo governo republicano para servir como Pavilhão Brasileiro na Exposição do Centenário da compra da Louisiana, em 1904, nos Estados Unidos, sendo remontado no Brasil, em 1906, como sede para importantes instituições políticas nacionais, tais como a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. Até 1976, quando, então, foi demolido, a edificação foi tomada como espaço referencial para a cidade do Rio de Janeiro. Seu desaparecimento em plena polêmica decorrente da negativa de seu tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN - colocou-a num patamar de questionamento acerca dos critérios usados pelo órgão preservacionista brasileiro nas atividades de patrimonialização. A essa obra soma-se o estudo do Solar Monjope, erigido entre 1927 e 1928, para servir de residência ao médico e crítico de artes José Marianno Carneiro da Cunha Filho (1881-1946), mecenas e auto propalado defensor do movimento neocolonial de arquitetura, no Rio de Janeiro. Esta casa, construída com o objetivo de ser um "manifesto edificado" das ideias de José Marianno, foi palco de importantes encontros políticos para a classe arquitetônica e para os artistas brasileiros, retratada e divulgada em todas as Américas até a morte de seu idealizador, em 1946. De 1946 até 1972, a casa foi preservada pelos herdeiros e as referências a ela no cenário das artes e da arquitetura cresceram, a ponto de ser indicada ao tombamento pelo IPHAN, algo não homologado, e que acarretou sua demolição, após negativa obtida também do INPEC, órgão estadual de preservação do Rio de Janeiro. Com a demolição, a área foi utilizada pela especulação imobiliária nos anos 1970. O estudo dessas duas edificações permite, pois, entender como os órgãos de preservação brasileiros lidam com edifícios, muitos deles, com demandas pró-preservação de não especialistas. Para, além disso, a pesquisa procura entender aquilo que se convencionou chamar de "circuito social da obra", ou seja, entender como a idealização, a produção, a construção, a circulação e a recepção dessas arquiteturas acionou mecanismos de memória, repercutindo no meio social. A pesquisa intenta, dessa maneira, não realizar uma biografia das edificações, mas construir uma história que tenha por pano de fundo as instituições preservacionistas brasileiras, em especial o IPHAN e o INEPAC, entendendo seus desvios, metas, objetivos e a maneira como a sociedade as enxergam, valendo-se, para tanto, dos três edifícios em tela. Em linhas gerais, a pesquisa proposta se debruça sobre as representações e as mobilizações feitas nos artigos, livros e manuais didáticos de ensino de história da arquitetura, do urbanismo e da preservação, acerca da atividade preservacionista no país e o desaparecimento das obras citadas. (AU)

Publicações científicas
(Referências obtidas automaticamente do Web of Science e do SciELO, por meio da informação sobre o financiamento pela FAPESP e o número do processo correspondente, incluída na publicação pelos autores)

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