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O espírito das coisas levadas, inventadas e construídas na história da reprodução da família Hindu no Sudeste Africano

Resumo

Essa pesquisa estuda as coisas levadas, construídas, inventadas na história da reprodução da família hindu no processo de constituição da África Austral. O estudo da vida social das coisas - como tecidos (saris) e prédios (templos, casas, lojas) - problematiza a polaridade conceitual que opõem pessoas individualizadas às coisas mercantilizadas. Nestes termos, examina o caráter contraditório e complementar da vida da coisa-Templo hindu Shree Ram na localidade de Salamanga a cem kilômetros da capital moçambicana de Maputo. A história social deste prédio será investigada, a partir dos estudos em andamento e com base em um trabalho de campo em Salamanga, Inhambane, Maputo e Durban. Nesta viagem, de dois meses, pretende-se observar as práticas que afirmam esta coisa-prédio-Templo como hindu, por meio de sua relação misturada com não hindus no sudeste africano.Parte-se de hipóteses desenvolvidas nas pesquisas precedentes que relacionaram a construção do Templo, em 1908, com o deslocamento de comerciantes hindus que vendiam capulanas aos mineiros tsongas para comprar saris, bem como; com o processo de embranquecimento da cidade de Lourenço Marques (atual Maputo) quando esta tentava ocupar a posição de porta de acesso às dinâmicas em torno à descoberta do diamante (1866) e do ouro (1886) no leste sul africano. Importa aqui investigar como que a coisa- prédio-Templo, tal como o encontrei no Centenário em 2008 e situado ainda em Salamanga - onde não residem mais do que dez hindus mistos - guarda e inventa a história dos homens e mulheres que com ele se relaciona. Com a intenção de compreender aspectos da construção, manutenção, ampliação, reforma, destruição e reconstrução do prédio do Templo Sri Ram pretendo retomar atividades de campo em Moçambique e na África do Sul para: a) observar o cotidiano da coisa-prédio Templo através do acompanhamento das rotinas de senhor Tulcidás e em especial de sua atuação como maestro de músicas em gujarati para crianças tsongas da localidade de Salamanga; b) inventariar o prédio (forma arquitetural, imagens (murtis), placas de mármores, objetos (mobília, utensílios) ) para identificar e contatar as famílias que patrocinaram tais benfeitorias (normalmente identificadas nos próprios objetos) e que vivem nas cidades de Inhambane, Maputo e Durban; c) investigar documentação privada (fotos, cartas, imagens, objetos, material de divulgação de rituais); pública de instituições de Salamanga (Caminhos de Ferro, Exército, Missões, Fábrica de cimento, Descascadora de arroz); pública de instituições em Maputo (Arquivo Histórico de Moçambique) e públicas de instituições de Durban (Killie Campbell Library). (AU)