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O espírito das coisas levadas, inventadas e construídas na história da reprodução da família Hindu no Sudeste Africano

Processo: 13/04193-8
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de junho de 2013 - 31 de maio de 2015
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Antropologia - Teoria Antropológica
Pesquisador responsável:Marta Denise da Rosa Jardim
Beneficiário:Marta Denise da Rosa Jardim
Instituição-sede: Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH). Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Campus Guarulhos. Guarulhos , SP, Brasil
Bolsa(s) vinculada(s):13/18425-8 - Digitalização, organização, disponibilização na Base de dados de Material Audio-Visual e de Pesquisa em Moçambique, BP.TT
Assunto(s):Etnografia  História social  África 

Resumo

Essa pesquisa estuda as coisas levadas, construídas, inventadas na história da reprodução da família hindu no processo de constituição da África Austral. O estudo da vida social das coisas - como tecidos (saris) e prédios (templos, casas, lojas) - problematiza a polaridade conceitual que opõem pessoas individualizadas às coisas mercantilizadas. Nestes termos, examina o caráter contraditório e complementar da vida da coisa-Templo hindu Shree Ram na localidade de Salamanga a cem kilômetros da capital moçambicana de Maputo. A história social deste prédio será investigada, a partir dos estudos em andamento e com base em um trabalho de campo em Salamanga, Inhambane, Maputo e Durban. Nesta viagem, de dois meses, pretende-se observar as práticas que afirmam esta coisa-prédio-Templo como hindu, por meio de sua relação misturada com não hindus no sudeste africano.Parte-se de hipóteses desenvolvidas nas pesquisas precedentes que relacionaram a construção do Templo, em 1908, com o deslocamento de comerciantes hindus que vendiam capulanas aos mineiros tsongas para comprar saris, bem como; com o processo de embranquecimento da cidade de Lourenço Marques (atual Maputo) quando esta tentava ocupar a posição de porta de acesso às dinâmicas em torno à descoberta do diamante (1866) e do ouro (1886) no leste sul africano. Importa aqui investigar como que a coisa- prédio-Templo, tal como o encontrei no Centenário em 2008 e situado ainda em Salamanga - onde não residem mais do que dez hindus mistos - guarda e inventa a história dos homens e mulheres que com ele se relaciona. Com a intenção de compreender aspectos da construção, manutenção, ampliação, reforma, destruição e reconstrução do prédio do Templo Sri Ram pretendo retomar atividades de campo em Moçambique e na África do Sul para: a) observar o cotidiano da coisa-prédio Templo através do acompanhamento das rotinas de senhor Tulcidás e em especial de sua atuação como maestro de músicas em gujarati para crianças tsongas da localidade de Salamanga; b) inventariar o prédio (forma arquitetural, imagens (murtis), placas de mármores, objetos (mobília, utensílios) ) para identificar e contatar as famílias que patrocinaram tais benfeitorias (normalmente identificadas nos próprios objetos) e que vivem nas cidades de Inhambane, Maputo e Durban; c) investigar documentação privada (fotos, cartas, imagens, objetos, material de divulgação de rituais); pública de instituições de Salamanga (Caminhos de Ferro, Exército, Missões, Fábrica de cimento, Descascadora de arroz); pública de instituições em Maputo (Arquivo Histórico de Moçambique) e públicas de instituições de Durban (Killie Campbell Library). (AU)