Resumo
Plasmodium vivax é responsável por mais de 80 milhões de casos por ano no mundo, apresentando forte impacto social fora do continente africano principalmente na Ásia e nas Américas. O Brasil responde por 50-60% do total de casos de malária notificados nas Américas, sendo 85% dessas infecções causadas por P. vivax e com transmissão restrita quase exclusivamente à região Amazônica (99,8%). Achados anátomo-patológicos semelhantes ao que são observados nos casos de P. falciparum, foram recentemente constatados em infecções por P. vivax as quais podem também evoluir para formas graves da doença. Essas observações desafiam a visão pré-estabelecida de que P. vivax é um parasita "benigno". No entanto, a realização de ensaios funcionais para o estudo da patogênese e infectividade de P. vivax permanecem restritos a centros hospitalares de referência regional em áreas endêmicas. Este fato se deve, principalmente, a impossibilidade de sistema de cultivo de longa duração in vitro que seja confiável e reprodutível. Sendo assim, em parceria com centros hospitalares de referência em áreas endêmicas para malária, fomos capazes de desenvolver ensaio de invasão ex vivo, e mostramos que eritrócitos infectados de P. vivax (Ei-Pv) coletados de pacientes infectados são capazes de aderir ex vivo ao endotélio pulmonar, cerebral e na placenta. Esses achados sugerem a participação desta capacidade adesiva nos processos patológicos de P. vivax nesses órgãos. Baseado na capacidade de campo, instalada, e no conhecimento já adquirido pretendemos; (i) ampliar a compreensão dos mecanismos de patogênese relacionados à citoadesão e à formação de rosetas de Ei-Pv (ensaios funcionais) e identificar os potenciais ligante(s) parasitários envolvidos (por meio de análises moleculares e geração de anticorpos monoclonais); (ii) determinar o impacto de infecções vivax em gestantes e as consequências no tecido placentário (via análises histopatológicas); e (iii) verificar o potencial vacinal de antígenos de P. vivax, bem como os mecanismos relacionados à infecção de eritrócitos/reticulócitos humanos por este parasita por meio de ensaios de invasão e mapeamento de epítopos. Por último, utilizando modelo de infecção experimental na gravidez em camundongos, (iv) avaliaremos a resposta imune inata e poderemos identificar os ligantes parasitários envolvidos no processo adesivo à placenta. (AU)
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