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Sementes de Cristandade: o martírio jesuítico e a cristianização do território na América, séculos XVI-XVIII

Resumo

Um dos mecanismos mais recorrentemente acionados pelos jesuítas para justificar e fundamentar a ocupação do território americano foi o martírio. Em um período de conflitos religiosos na Europa, em que as mortes em nome da fé deixavam as narrativas míticas para alojar-se nos fatos contemporâneos, a Companhia de Jesus foi possivelmente o agente social que mais intensamente utilizou o imaginário martirológico, na Europa e nas missões. Investigando a incidência dos mártires jesuítas - e das narrativas em torno deles - nos procedimentos de expansão da fronteira da Cristandade no Novo Mundo, pretende-se contribuir para o avanço do conhecimento a respeito dos processos de ocupação territorial da América, construindo uma vertente de interpretação ainda inédita ou desenvolvida apenas muito localizadamente. Para isso, adota quatro entradas principais, a partir das qual o imaginário e a documentação martirológica dos jesuítas na América será interpelada: 1. a ideia da Companhia de Jesus como uma ordem religiosa de vocação martirológica; 2. a presença dos mártires na cartografia do novo mundo; 3. o contexto hagiográfico relativo aos mártires jesuítas americanos e seus restos mortais; 4. a imagem recorrente dos mártires como sementes de cristandade, ou seja, ferramenta capaz de alavancar a cristianização do território. O recorte temporal vai desde a ocorrência do primeiro martírio de padres da Companhia na América, o dos padres Pedro Correa e João de Souza, no sertão de São Vicente em 1554, até a expulsão da ordem na década de 1760. O recorte geográfico corresponde a todo o continente americano, escolha justificada pela própria forma como o martírio aparece nas fontes jesuíticas, transcendendo barreiras geográficas e fronteiras imperiais. (AU)