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Revoluções: poesia do inacabado 1789-1848 (vol. 1)

Resumo

Os cinco ensaios tratam da origem da arte moderna por meio de estudos específicos, que focalizam, em primeiro lugar, o ponto de vista inconcluso de Baudelaire acerca da arte moderna como épica anti-burguesa e, nesta perspectiva, o papel fundador atribuído pelo último à arte republicana revolucionária, de Jacques-Louis David (1748-1825). Os quatro ensaios seguintes estudam obras do pintor, realizadas a serviço da república revolucionária, e procuram indicar detalhadamente como o processo político-social levou às mudanças específicas de linguagem que, no entender de Baudelaire, constituiriam a matriz da arte moderna como discurso de teor negativo em face da modernização burguesa e, além de fragmentário e trágico, decalcado das lutas populares. Os dois últimos ensaios do volume estudam também os impactos e modificações sofridos por esta primeira matriz discursiva (1791-4), a fim de se reestruturar nos termos do bonapartismo e se adaptar à ordem pós-termidoriana, marcada pela hegemonia dos chamados "notáveis", a nova classe de grandes proprietários que emerge com o fim do Antigo Regime. Processa-se então o ajuste da pintura republicana revolucionária de David, de extração originariamente rousseauísta, às práticas da ambiguidade poética, coetânea à ordem da negociação e da afirmação dos interesses privados.Ao primeiro volume se seguirá em breve outro, cujos textos, no total de seis, ora em processo de revisão, compreenderão três estudos sobre a obra de Manet (1832-83), na contramão da cultura bonapartista do II Império; um sobre a obra de Cézanne (1839-1906), no bojo do processo de reestruturação das relações de trabalho na França sob o império da ordem do Capital após o massacre da Comuna; e dois sobre a emergência e o ocaso do construtivismo russo após a Revolução de Outubro. De modo geral, a perspectiva dos onze ensaios, reunidos sob a denominação de Revoluções: Poesia do Inacabado, busca a partir do estudo de obras e casos específicos elaborar uma narrativa sistematizada acerca da formação da "arte moderna", na contracorrente das concepções críticas formalistas. Em contrapartida à última, e mediante perspectiva histórico dialética pautada pela luta de classes, o conjunto de ensaios, em questão, procura contraditar, tanto na análise pontual de obras quanto de modo sistemático, a historiografia fundada em premissas idealistas e solipsistas acerca do que seriam a autonomia estética e a forma poética. (AU)