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Estudo do efeito cardioprotetor e terapêutico de extratos vegetais na necrose miocárdica induzida por isoproterenol em ratos

Resumo

Cirurgias para correção de cardiopatias congênitas estão cada vez mais frequentes no Brasil e no mundo. Entretanto, mesmo com os avanços obtidos nas técnicas cirúrgicas e de perfusão, alguns casos, especialmente os mais complexos, podem evoluir com insuficiência cardíaca refratária (IC) e óbito. Em um estudo retrospectivo em pacientes que foram submetidos à cirurgia para correção de cardiopatias congênitas (CC) com circulação extracorpórea (CEC) no HC FMRP-USP e evoluíram com óbito, observamos infartos múltiplos em diferentes estágios de evolução e microcalcificações dispersas no miocárdio, mesmo sem obstrução coronariana. No estudo seguinte, confirmamos que após a CEC ocorreu um efetivo aumento da expressão gênica dos receptores de catecolaminas (receptores adrenérgicos ²1 e ²2) e da quinase de receptor GRK-2 nos cardiomiócitos atriais em comparação com as biópsias colhidas no início da CEC. Essa alteração foi associada ao aumento dos níveis séricos de lactato, observado 12h após o término da CEC. Mais ainda, a fração N-terminal do precursor do peptídeo natriurético tipo B (NT-ProBNP) e a troponina I também estavam elevadas logo após a CEC, permanecendo em níveis elevados até 48h após a cirurgia. Esses marcadores bioquímicos indicam que tenha havido algum grau de hipóxia tecidual/ isquemia miocárdica durante o procedimento cirúrgico. Com esse achado, sugerimos que a lesão miocárdica predominante nos pacientes operados para correção de CC e uso de CEC deve estar relacionada à liberação de catecolaminas durante a cirurgia. Sabendo das limitações da pesquisa envolvendo material humano resolvemos inverter o processo da medicina translacional e estudar o efeito de substâncias cardioprotetoras em lesões miocárdicas por excesso de catecolaminas circulantes. Analisaremos o miocárdio de ratos, utilizando um modelo clássico de lesão induzida por catecolaminas, o isoproterenol (uma catecolamina sintética). Nesses corações, avaliaremos dois mecanismos diferentes de possível ação do isoproterenol: atuação nos receptores adrenérgicos ²1 e ²2 e da quinase de receptor GRK-2 e produção de estresse oxidativo. Em contrapartida, observaremos a interferência nesses processos de um extrato vegetal purificado, a curcumina, considerado como efetivo cardioprotetor na literatura pertinente. Este estudo possui um potencial significativo para abordar novos alvos no desenvolvimento de medicamentos que podem prevenir ou tratar o dano miocárdico de forma segura, minimizando os efeitos colaterais das drogas sintéticas. (AU)