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Caminhos do romance em Portugal: Camilo, ECA e o folhetim francês

Processo: 13/26034-9
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de março de 2014 - 28 de fevereiro de 2015
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Letras - Outras Literaturas Vernáculas
Pesquisador responsável:Paulo Fernando da Motta de Oliveira
Beneficiário:Paulo Fernando da Motta de Oliveira
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Literatura portuguesa 

Resumo

O presente estudo tem como objetivo a aproximação de dois escritores praticamente contemporâneos, Camilo Castelo Branco e Eça de Queirós, usualmente afastados em manuais de literatura e até mesmo no ensino universitário por serem classificados como pertencentes a dois movimentos literários antagônicos. Através da perspectiva do comparatismo histórico e das transferências culturais, pretendemos relativizar o modo panorâmico de análise, que os distancia para fins didáticos, e a visão de que a literatura e a cultura francesas teriam representando para Portugal e seus escritores uma influência hegemônica e centralizadora, perspectiva dominante em parte da crítica literária, lançando um novo olhar sobre a produção inicial de ambos os escritores e repensando alguns aspectos do romance-folhetim oitocentista produzido em Portugal.Como demonstraremos, os escritores compartilham determinadas visões e perspectivas a respeito do público leitor oitocentista, bem como de suas demandas e necessidades, a ponto de sugerirmos que o par Camilo e Eça poderia ser estudado, doravante, a partir da ótica de um percurso similar nos inícios de suas carreiras.Assim, procuraremos defender que Camilo e Eça contribuíram igualmente para a formação e ascensão do romance moderno português e que foram ícones fundamentais para a solidificação de um romance original, autônomo e independente, que embora apresentando pontos de contato com o romance francês, aspecto dificilmente contornável, também trouxeram uma evidente faceta crítica. Evidenciaremos o importante legado que os escritores deixaram para a história da literatura portuguesa, que deve ser compreendido e valorizado em sua relevância histórico-cultural, pois que foram, ao lado de Almeida Garrett e Júlio Dinis, os grandes romancistas modernos portugueses.Para tal análise, realizaremos um estudo introdutório a respeito da literatura e cultura francesas e sua reiterada hegemonia no século XIX, buscando privilegiar, no entanto, novas perspectivas assentes num comparatismo cultural de base policêntrica e descentralizadora; em seguida, traçaremos um estudo analítico do romance-folhetim no século XIX, suas variadas vertentes e seu percurso evolutivo, relacionado às modificações do leitorado francês, da imprensa francesa e da própria literatura como meio de entretenimento.Após observar o contexto de surgimento do romance-folhetim francês e de sua evolução, passaremos a uma estreita comparação entre dois romances muito populares e que atingiram enorme êxito entre o público leitor europeu: os romances Les Mystères de Paris (1843), de Eugène Sue, e Mistérios de Lisboa (1854), de Camilo Castelo Branco, buscando ressaltar as diferenças que se interpõem no caminho dos romances franceses em direção a Portugal, sublinhando o posicionamento crítico do indivíduo interpretante.Verificadas as importantes dessemelhanças entre os romances de Sue e Camilo, passaremos ao não menos original romance de Eça de Queirós e Ramalho Ortigão, O Mistério da Estrada de Sintra (1870), modelo híbrido e amplamente paródico, no qual buscaremos demonstrar a desconstrução de um modo de ficção bastante popularizado no século XIX: o fait divers. Para tanto, faremos também uma breve análise do romance Les Mystères de Marseille (1867), de Émile Zola, publicado apenas três anos antes do romance de Eça e Ramalho, e que com ele dialoga amplamente no que diz respeito ao modo de composição.Finalmente, ao aproximar os dois escritores nos inícios de suas carreiras, quando o influxo da literatura francesa era particularmente hegemônico e fazia-se amplamente vigente em Portugal, buscaremos comprovar que seus percursos crítico-literários foram pontuados de inúmeras semelhanças e que podem ser lidos através de particularidades histórico-literárias que nos permitem, com efeito, afirmar que constituíram um movimento coletivo de construção do romance português e de sua índole crítica. (AU)

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