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Engenharia, trabalho e relações de gênero na construção de habitações

Processo: 14/04980-2
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de junho de 2014 - 31 de maio de 2016
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Sociologia - Outras Sociologias Específicas
Pesquisador responsável:Maria Rosa Lombardi
Beneficiário:Maria Rosa Lombardi
Instituição-sede: Fundação Carlos Chagas (FCC). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Estudos de gênero  Relações de gênero  Divisão do trabalho  Mercado de trabalho  Engenharia civil  Construção civil 

Resumo

Nos últimos dez anos, o que mudou nas engenharias e na posição das mulheres nesse campo profissional, no Brasil? Essa questão de pesquisa ensejou investigação exploratória quantitativa ( análise de estatísticas de ensino e de emprego) e qualitativa ( entrevistas com pessoas de referencia), bem como levantamento bibliográfico da produção nacional sobre engenharia e gênero, realizada durante 2013 na Fundação Carlos Chagas. O objetivo central da fase exploratória foi identificar as principais mudanças ocorridas durante a primeira década dos 2000, comparativamente aos anos 1990. Os resultados permitiram situar os contornos gerais das transformações ocorridas, permitindo delinear os objetivos e a orientação metodológica da investigação que se pretende desenvolver atualmente. Passada uma década, a expansão dos cursos e das vagas em cursos de engenharia continuou; em consequência, o número de formados aumentou uma vez e meia, entre 2001 e 2011. O cenário econômico se alterou para melhor, com a retomada do crescimento econômico, diminuição contínua do desemprego e reestruturação do mercado de trabalho formal. Entre outras medidas, definiram-se políticas públicas voltadas para, retomaram-se os investimentos públicos em infraestrutura e para a construção de habitações, definiram-se políticas de financiamento de diversas atividades econômicas tendo em vista acelerar o crescimento econômico. A indústria de construção civil apresentou expansão significativa da atividades, sobretudo no segmento edificações habitacionais, passando ao posto de terceira empregadora de engenheiros, depois dos serviços e da indústria de transformação. A demanda por engenheiros está aquecida desde a metade da década, fato que tem contribuído para o aumento dos salários e a revalorização da profissão. O emprego para engenheiras continuou a crescer lentamente, representando, em 2012, 18% do total. Não se alteraram os padrões de comportamento e convivência, - persistindo a masculinidade da área, nem a divisão de trabalho entre os sexos, muito menos a posição de desvantagem das engenheiras em termos de remuneração e ascensão na carreira, quando comparadas aos engenheiros, segundo a bibliografia consultada. A escolha da construção civil em edificações como área de trabalho e a engenharia civil, como profissão, deveu-se a alguns fatores. Em primeiro lugar, a importância da construção de habitações na geração de empregos para engenheiros - e principalmente, engenheiras civis; segundo, as transformações por que vem passando o segmento edificações, com a decorrente alteração nos processos de trabalho e no trabalho do engenheiro; em terceiro lugar, a engenharia e a construção são ambientes bastante propícios para a identificação das relações sociais que se estabelecem entre os dois sexos no exercício profissional, inclusive de conflitos e discriminações, ao potencializarem o confronto de concepções de gênero vigentes na sociedade brasileira. Finalmente, o conhecimento acumulado pela pesquisadora, em estudo anterior, a respeito da divisão do trabalho entre arquitetos e arquitetas que atuam na construção, favorece a compreensão dos fatos, afina a capacidade de observação e enseja oportunidade de comparação de resultados dos dois estudos e o aprofundamento das análises. O desenho metodológico do atual projeto implica a realização de dois estudos de caso em construtoras, uma grande empresa voltada para o segmento de alto padrão e outra, voltada para a habitação popular, independentemente do seu porte. Complementarmente, pretende-se acompanhar três inciativas pioneiras de debate e conscientização das questões de gênero nas engenharias, identificadas na fase exploratória, por meio de entrevistas repetidas, durante dois anos, com participantes selecionados desses grupos. (AU)