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Vigilância sanitária das encefalites bovinas: papilomavírus como agente causal

Resumo

O Laboratório de Anatomia Patológica do Instituto Biológico de SP é credenciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para realizar o diagnóstico diferencial histopatológico das encefalites e Encefalopatia Espongiforme Bovina. No período de janeiro/2004 a outubro/2013 foram avaliadas por histopatologia 2.603 amostras de Sistema Nervoso Central (SNC) de bovinos com sinais clínicos de distúrbios nervosos negativos para Raiva (imunofluorescência direta), destes 2.130 (81,8%) não apresentaram alterações histopatológicas, e nos 473 (18,2%) materiais com alterações histopatológicas, a lesão mais prevalente foi meningoencefalite não purulenta inespecífica (MENPI) - 83,5% (395). A MENPI é composta por infiltrado de células inflamatórias mononucleares, que pode caracterizar infecção viral, havendo necessidade de pesquisas outros patógenos além dos usuais que acometem o SNC de bovinos, tendo em vista que existe uma parcela dos animais com síndrome neurológica com lesões onde não se consegue concluir o agente causal. O Papilomavírus Bovino (BPV) é epiteliotrópico e oncogênico, causando papilomas na pele e tumores no sistema digestivo e genital de bovinos. Foram publicados alguns relatos de caso de bovinos com papilomas no SNC, estando estas lesões localizadas no plexo coróide de terceiro ventrículo e meninge, porém estes trabalhos descreveram macro e microscopia, não havendo investigação de DNA do BPV nas lesões encontradas em condições naturais, apesar de outras publicações relatarem que o BPV inoculado experimentalmente na meninge de bezerros tenha causado meningioma. Tanto plexo coróide quanto meninges e pele originam-se do folheto ectodérmico embrionário, sugerindo haver tropismo do BPV por todos estes tecidos. O presente trabalho investigará o BPV em SNC de bovinos com síndrome neurológica, encaminhados ao Instituto Biológico para realizar o diagnóstico diferencial, associando a presença de lesões histológicas sugestivas de encefalite viral à positividade na PCR para o BPV, bem como sequenciar o genoma, avaliar a filogenia e associar possíveis genótipos a lesões. (AU)

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