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O cavaleiro negro: Arlindo Veiga dos Santos e a Frente Negra Brasileira

Processo: 14/10935-0
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de agosto de 2014 - 31 de julho de 2015
Área do conhecimento:Ciências Humanas - História - História do Brasil
Pesquisador responsável:Teresa Maria Malatian
Beneficiário:Teresa Maria Malatian
Instituição-sede: Faculdade de Ciências Humanas e Sociais (FCHS). Universidade Estadual Paulista (UNESP). Campus de Franca. Franca, SP, Brasil
Assunto(s):Monarquia popular  Frente Negra Brasileira  Cristianismo  Ação Imperial Patrianovista Brasileira 

Resumo

Esta pesquisa trata do monarquismo popular urbano no movimento negro entre 1932 e 1937. Diversos trabalhos têm apontado a existência dessa concepção política para além de Canudos - a emblemática manifestação de messianismo que mobilizou populações rurais, ao lado do episódio sempre lembrado do Contestado. Igualmente ele se distingue do monarquismo elitista que mobilizou setores da burguesia e das classes médias em torno da proposta de restauração do trono no Brasil republicano, na qual se destacou Arlindo Veiga dos Santos. A perspectiva aqui adotada, de inserção do tema nos estudos de cultura política, traz novas possibilidades analíticas ao estabelecer diálogo com outras correntes e manifestações políticas ramificadas no cotidiano da Frente Negra brasileira. A atuação dos intelectuais constitui um dos eixos norteadores desta análise e permite alcançar por meio do estudo de manifestos e da imprensa seu desempenho não apenas como formuladores de propostas mas também de "despertadores", que "representaram um fermento para as gerações intelectuais seguintes exercendo uma influência cultural e mesmo às vezes política" na perspectiva apontada por Sirinelli. A Frente Negra Brasileira foi uma organização que entre 1932 e 1937 buscou reunir a população negra na cidade de São Paulo para defesa da chamada "segunda abolição", que deveria resultar na superação do preconceito e, consequentemente, na sua integração, com plenos direitos, na sociedade brasileira. Da capital o movimento irradiou-se para o interior e para outros estados, num contexto de polarização ideológica entre os movimentos e partidos políticos norteados pelo socialismo ou comunismo e aqueles inspirados no fascismo. A solução foi buscada por vários caminhos e a luta levantava sempre as bandeiras da educação, dignidade de tratamento e igualdade de oportunidades no mercado de trabalho. A atuação de Arlindo Veiga dos Santos nesse meio não pode ser desvinculada de sua adesão profunda ao catolicismo militante de inspiração antiliberal, que pautou a conduta de fiéis engajados na "recatolização" do Brasil. As congregações marianas e a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos tiveram peso considerável nesse percurso ao promoverem estudos, debates e delinearem de estratégias da ação. A imprensa negra constitui uma das principais referências no presente estudo por sua relevância inconteste na expressão das culturas políticas presentes no movimento negro nas décadas de 1920 e 1930. Os jornais não apenas falavam de política mas registravam fatos da vida cotidiana e em sua pluralidade de temas abordados, davam vazão ao protesto dos negros na sociedade pós- abolição. O critério de seleção dessas fontes preciosas, guardadas em arquivos digitalizados, foi pautado pela atuação de Arlindo Veiga dos Santos como colaborador (Progresso e O Clarim d'Alvorada) e fundador (A Voz da Raça) de jornais. Outros periódicos não podem ser esquecidos, ainda que não diretamente relacionados ao tema: O Menelick, O Xauter, O Alfinete, O Kosmos, Getulino (Campinas), Auriverde, editados ou em circulação na cidade de São Paulo. Foram efêmeros, com tiragem reduzida e resultaram de enormes esforços e sacrifícios pessoais de grupos de intelectuais negros que haviam conseguido educação formal e empregos no setor de serviços, indícios da existência, já nessa época, de uma incipiente classe média negra. O fato de a Frente Negra Brasileira ter se transformado em partido político em 1936, embora de curta duração, sinaliza sua relevância no movimento negro e a diferenciação que alcançou ao ultrapassar o associativismo recreativo e canalizar suas reivindicações para a arena política. É por meio da imprensa que se pode verificar a existência de um monarquismo popular, específico do meio negro, que elegeu a abolição como momento decisivo para a reverência à princesa Isabel e à divulgação do valor do Império como regime adequado ao Brasil. (AU)

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