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A figura de Orson Welles no cinema de Rogério Sganzerla

Processo: 14/15761-0
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de outubro de 2014 - 30 de setembro de 2015
Área do conhecimento:Ciências Sociais Aplicadas - Comunicação - Comunicação Visual
Pesquisador responsável:Samuel José Holanda de Paiva
Beneficiário:Samuel José Holanda de Paiva
Instituição-sede: Centro de Educação e Ciências Humanas (CECH). Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). São Carlos , SP, Brasil
Assunto(s):Cinema 

Resumo

A relação intertextual do cinema de Rogério Sganzerla (1946-2004) com a obra de Orson Welles (1915-1985) revela uma intensa e gradual aproximação, culminando em uma tetralogia de filmes cujo argumento está relacionado à experiência de It's all true (1942) um projeto cinematográfico concebido no contexto da Política da Boa Vizinha. Refletindo sobre esse projeto dirigido em sua maior parte por Orson Welles, Sganzerla realiza quatro filmes: Nem tudo é verdade (1986), A Linguagem de Orson Welles (1991), Tudo é Brasil (1997) e O signo do caos (2003), que constituem cronologicamente a última fase de sua produção. Entretanto, desde muito antes a figura do cineasta americano está presente nos trabalhos do cineasta brasileiro. Isso é verificável tanto nos textos que, desde os anos 1960, Sganzerla escreveu como crítico de cinema em diversos jornais de São Paulo, como também nos filmes que ele realizou, inclusive, O bandido da luz vermelha (1968), seu primeiro longa-metragem. Como ponto-chave da intertextualidade na obra dos dois artistas, nesta tese é discutida a questão da alteridade nacional. Para tanto, o principal parâmetro são as noções de "ocupante" e "ocupado", propostas por Paulo Emilio Salles Gomes, no ensaio Cinema: trajetória no subdesenvolvimento. Em tal panorama, o principal objetivo é investigar os sentidos implicados na construção de Orson Welles como uma figura que se desloca ao longo da obra de Sganzerla. E para tanto a interpretação figuraI, tal como a compreende Erich Auerbach, constitui o principal instrumento de investigação sobre um objeto constituído a partir de três segmentos da obra de Sganzerla: (a) as críticas que ele escreveu para os jornais O Estado de S.Paulo, Jornal da Tarde, Folha da Tarde e Folha de S.Paulo; (b) o livro que ele organizou, cujo título é O Pensamento vivo de Orson Welles; e (c) a referida tetralogia de filmes inspirados em It's all true. Como conclusão, comprova-se que a especificidade da posição de Sganzerla no debate empreendido sobre a questão dos ocupantes e ocupados na história do cinema brasileiro relaciona-se com a sua construção da figura de Orson Welles, que representa a utopia de um cinema sem limites ou fronteiras. (AU)