Resumo
O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) é um quadro desencadeado por um evento externo que coloca em risco a integridade física do indivíduo caracterizado pelos sintomas de revivência, evitação e hipervigilância. Apesar do evento externo necessário, alguns fatores predisponentes estão presentes, pressupondo-se uma multicausalidade na etiologia do quadro. O quadro uma vez instalado tem características crônicas levando a grande prejuízo do paciente, sua família e da sociedade. Várias alterações biológicas são descritas em associação com o TEPT sendo evidente uma disfunção do sistema de resposta ao estresse, que sugere um aumento da carga alostática do organismo. Nossa hipótese é que este aumento da carga alostática levaria a uma degeneração progressiva do organismo, na medida da continuidade do estresse. O processo fisiopatológico levaria a uma aceleração do processo de envelhecimento do organismo. A proposta para o presente temático seria de avaliar a existência de um aumento da carga alostática relacionada ao TEPT e se este teria correspondência clínica na medida da neuroprogressão. Avaliaremos 120 pacientes com diagnóstico de TEPT desencadeado por abuso sexual. Escolhemos este tipo de evento por ser prevalente em nosso ambiente, e por ser um dos mais graves e com maior risco ao desenvolvimento do TEPT. Usaremos um grupo controle saudável com 120 sujeitos sem história de trauma ou de diagnóstico psiquiátrico pareados com o grupo experimental por idade e sexo. Os pacientes serão avaliados na entrada com relação ao diagnóstico, história de violência na infância, escalas de avaliação de gravidade, funcionamento e qualidade de vida, tempo de trauma e tempo de sintomas até a avaliação, além dos dados sociodemográficos. Todos os pacientes serão encaminhados para um tratamento padronizado, que seguirá passos determinados, segundo um manual de condutas do ambulatório de TEPT. Serão realizadas avaliações de vários marcadores biológicos: genéticos, bioquímicos, moleculares e de imagem. Serão também colhidos dados neuropsicológicos e serão realizadas avaliações do sono. Os pacientes serão acompanhados durante um ano sendo reavaliados a cada 3 meses (cada paciente 4 avaliações). Os pacientes receberão tratamento padronizados dentro de um ensaio clínico controlado e randomizado para comparar as eficácias da fluoxetina e da psicoterapia interpessoal adaptada para o TEPT (TIP-T) que receberão por 12 semanas. Os pacientes que não responderem a estes tratamentos entrarão numa segunda fase de cruzamento de tratamentos, que serão adicionados (os que estavam em TIP-T receberão fluoxetina e os que estavam com o medicamento receberão TIP-T). Os dados de resposta aos dois tratamentos também serão cruzados com marcadores biológicos, na tentativa de encontrarmos marcadores preditivos de resposta terapêutica. (AU)
| Matéria(s) publicada(s) na Agência FAPESP sobre o auxílio: |
| Mais itensMenos itens |
| TITULO |
| Matéria(s) publicada(s) em Outras Mídias ( ): |
| Mais itensMenos itens |
| VEICULO: TITULO (DATA) |
| VEICULO: TITULO (DATA) |