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Canto em marcha: música folk e direitos civis nos Estados Unidos (1945-1960)

Processo: 14/24709-1
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de março de 2015 - 29 de fevereiro de 2016
Área do conhecimento:Ciências Humanas - História - História da América
Pesquisador responsável:Tania da Costa Garcia
Beneficiário:Tania da Costa Garcia
Instituição-sede: Faculdade de Ciências Humanas e Sociais (FCHS). Universidade Estadual Paulista (UNESP). Campus de Franca. Franca , SP, Brasil
Assunto(s):História dos Estados Unidos  Direito civil  Estados Unidos 

Resumo

A presente pesquisa analisa as relações entre a música e a política nos Estados Unidos, especificamente a atuação de um grupo de compositores e intérpretes ligados ao repertório folk que se engajaram nas lutas pelos direitos civis de minorias nacionais. Nosso recorte temporal abarca o período pós-Segunda Grande Guerra, entre 1945 e 1960, no qual ocorreu a emergência do país como a nação hegemônica entre os países do Ocidente, seguida da veiculação de um discurso democrático, que encontrava seu limite em uma sociedade segregada e desigual. Deste modo, as lutas pelos direitos civis, antes balizadas em ações legais, como os processos nas cortes judiciais, foram direcionadas a espaços públicos e amplos, como as ruas e praças ao redor do país, e tiveram o apoio de distintos grupos sociais, inclusive de músicos ligados ao repertório folk. Devido a escassa bibliografia sobre a música folk estadunidense no Brasil, nosso primeiro capítulo aborda as relações entre música folk e o contexto histórico dos Estados Unidos ao longo do século XX, mostrando como este repertório tornou-se um objeto controverso de estudo da cultura nacional, quais foram os gêneros estabelecidos como música folk e seu processo de difusão das áreas rurais para as cidades, bem como sua inserção no mercado musical. No segundo capítulo nos detemos na produção da principal referência na atividade de gravação de material folclórico no país, a gravadora Folkways, elencando os sujeitos inseridos no processo de produção dos discos e os discursos propagados por meio de tais produções. Neste sentido, acreditamos ser imprescindível compreender seu período histórico de atuação e papel no mercado musical nacional. Ao adotarmos como documentação para a pesquisa duas revistas musicais publicadas nos Estados Unidos, People's Song e Sing Out!, faz-se imperativo analisar os grupos sociais envolvidos na criação e desenvolvimento das revistas, suas características físicas, formas de circulação, conteúdo, ou seja, analisar suas dimensões textuais e para textuais - e este é o objetivo do terceiro capítulo, que inicia com a análise do momento de criação das duas publicações, das pessoas envolvidas e dos projetos estéticos e ideológicos adotados, seguida de um estudo das escolhas dos nomes das revistas, que remetem a uma discussão importante sobre o lugar da música popular e folclórica no período, para, posteriormente, entrarmos na discussão sobre o conteúdo textual, refletindo a respeito dos usos políticos da música e do engajamento nas lutas pelos direitos civis nos Estados Unidos. Em nosso quarto capítulo, apresentamos uma comparação das trajetórias dos artistas que gravaram e/ou escreveram para a Folkways e escreveram nas revistas, a fim de percebermos como, ao longo dos anos de 1950, foi desenvolvida uma rede de sociabilidade em torno da música folk do país, que ajudou na consolidação do Movimento Pelos Direitos Civis. (AU)