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Recondicionamento pulmonar com solução Steen vs albumina em modelo de perfusão pulmonar in vivo

Processo: 14/14436-8
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de novembro de 2014 - 31 de janeiro de 2017
Área do conhecimento:Ciências da Saúde - Medicina - Cirurgia
Pesquisador responsável:Karina Andrighetti de Oliveira Braga
Beneficiário:Karina Andrighetti de Oliveira Braga
Instituição-sede: Instituto do Coração Professor Euryclides de Jesus Zerbini (INCOR). Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP). Secretaria da Saúde (São Paulo - Estado). São Paulo , SP, Brasil
Pesq. associados:Marcos Naoyuki Samano ; Paulo Manuel Pêgo-Fernandes
Assunto(s):Choque hemorrágico  Transplante de pulmão  Troca gasosa pulmonar  Albuminas  Dextranos 

Resumo

Segundo dados obtidos na OPO-HCFMUSP (Organização de Procura de Órgãos, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), a maioria dos pulmões não usados para transplante é rejeitada baseada em resultados gasométricos (PO2 < 200 cm H2O, com FiO2 100 % e PEEP 5 cm H2O). A grande dificuldade na manutenção dos potenciais doadores é sua estabilização hemodinâmica, evitando-se o dano por vezes irreparável nos órgãos a ser transplantado. A hipotensão persistente desencadeia aumento do distúrbio ventilação/perfusão (V/Q) e do Shunt intraparenquimatoso pulmonar decorrentes de: edema alveolar com membrana hialina e microatelectasias com colapso alveolar. O sucesso de se recondicionar pulmões, aumentando sua capacidade de troca de gases, deve-se a mobilização do edema alveolar e intersticial, conseqüente a hipoperfusão pós Morte Encefálica. Algumas soluções de preservação de tecidos e órgãos contem albumina humana e dextran, com alto poder coloidosmótico, levando a redução desse edema. Soluções de preservação pulmonar disponíveis objetivam reduzir a incidência da lesão de isquemia-reperfusão e, conseqüentemente, prevenir a ocorrência da disfunção primária do enxerto.Observando práticas aplicadas em captação de outros órgãos, constatamos que é conduta estabelecida, como no caso do pâncreas, a administração por via venosa de albumina humana a 20% para redução transoperatória do edema tecidual e preparo do receptor para reperfusão do enxerto, prevenindo a falência primária do enxerto.Uma das soluções com alto poder coloidosmótico utilizada no recondicionamento de pulmões, é a Steen Solution®. Trata-se de um composto comercial com alto gradiente de pressão coloidosmótica em normotermia (Steen Solution®). A Steen Solution® é uma solução tamponada, do tipo extracelular (ou seja, com baixa concentração de potássio e alta concentração de sódio), contendo dextrano e albumina. É sabido que a baixa concentração de potássio é menos lesiva à integridade estrutural e funcional das células endoteliais, podendo levar à diminuição na produção de oxidantes e vasoconstrictores. O dextrano é uma macromolécula que aumenta a pressão oncótica e melhora a capacidade de deformação das hemácias, prevenindo a agregação eritrocitária e induzindo desagregação nas hemácias já agregadas. Esses efeitos contribuem para melhorar a microcirculação pulmonar e preservam a interface endotélio-epitélio. A albumina tem a função, junto com o dextrano, de manter um alto gradiente de pressão coloidosmótica, no intuito de evitar o desenvolvimento de edema pulmonar durante o recondicionamento. Inúmeros trabalhos experimentais envolvendo o uso de solução salina hipertônica e soluções coloidosmóticas, como albumina ou dextrana, em modelos submetidos a injúrias diversas, como choque hemorrágico, trauma de múltiplos órgãos, hipoxemia ou morte encefálica, e posterior ressuscitação volêmica demonstram efeitos positivos sobre a perfusão de órgãos e tecidos, inclusive na imunomodulação da resposta inflamatória.Quando se considera a habilidade de, em pequenos volumes de infusão, restaurar a pressão arterial média e a perfusão microvascular, renova-se o interesse em usar solução hipertônica, com ou sem dextrana, uma substância de alto peso molecular e alta pressão coloidosmótica, tendo efeito benéfico na microcirculação pulmonar, pois melhora a deformabilidade das hemácias, previne a agregação de hemácias e plaquetas e tem efeito antitrombótico. A infusão padrão de 4 ml.kg da solução de albumina a 20% aumenta o volume plasmático em 2-4 vezes o volume infundido devido à mobilização de água do compartimento intracelular.Para avaliar tais efeitos e os resultados aplicados no recondicionamento de pulmões previamente submetidos a choque hemorrágico, elaboramos um projeto de pesquisa utilizando a administração endovenosa de albumina humana a 20% ou uma solução desenvolvida para perfusão pulmonar contendo albumina e dextran (Solução de Steen, Vitrolife, Sweden). (AU)