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As edições marcha e a constituição de um circuito cultural de resistência política frente o acirramento do autoritarismo no Uruguai (1967-1974)

Resumo

Cineastas, escritores, músicos, diretores teatrais entre outros artistas e intelectuais uruguaios fizeram parte de uma rede de sociabilidade que orbitou as edições Marcha (sobretudo o Semanário Marcha e os Cadernos de Marcha), entre 1967-1974. As publicações Marcha são importantes fontes para o mapeamento de um circuito cultural à esquerda, permeado por vínculos de seus integrantes com o Partido Comunista, os Tupamaros e a partir de 1971, com a Frente Ampla, movimento fortemente apoiado pelo periódico. Nessa pesquisa pretendemos mapear esse circuito, verificando em que medida Marcha exerceu o papel de agente e formulador de uma política cultural responsável pela sedimentação desse circuito e de uma hegemonia cultural de esquerda. Para mapear esse circuito, tomaremos como ponto de partida os vínculos de Marcha com a Cinemateca del Tercer Mundo (1969-1974) e com o grupo e o teatro El Galpón (1969-1976). Buscaremos levantar outros pólos que integraram essa rede, a fim de analisar as ações conjuntas, os conflitos e debates, a circulação de produções realizadas durante a fase de acirramento do autoritarismo (do "Pachecato" aos primeiros anos do regime civil-militar). Partimos da hipótese de que o mencionado circuito e a resistência cultural estabelecidos nos anos 1960 além de configurarem uma hegemonia cultural de esquerda, tiveram um forte impacto na identidade uruguaia, cujos traços latino-americanistas ganharam significativo destaque nesse período. Também é nossa intenção refletir sobre como a institucionalização da ditadura afetou esse circuito, bem como os desdobramentos dessa cultura de esquerda no início do regime civil-militar. (AU)

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