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Sentir, saber, tornar-se: estudo semiótico do percurso entre o sensório e a identidade narrativa

Processo: 14/16784-3
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de dezembro de 2014 - 30 de novembro de 2015
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Linguística - Teoria e Análise Lingüística
Pesquisador responsável:Elizabeth Harkot-de-La Taille
Beneficiário:Elizabeth Harkot-de-La Taille
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Discurso 

Resumo

A investigação dos componentes afetivos intrínsecos ao processo de significação pressupõe situarem-se num dos limites extremos da cadeia significante as percepções sensoriais e, no outro, os valores figurativizados entrelaçados a emoções, sentimentos, paixões, valores esses passíveis de se integrar à identidade narrativa (Ricoeur 2004) de toda e qualquer pessoa, desde que imersa em alguma cultura.Abordando o mundo não "como um referente absoluto, mas como lugar da manifestação do sensível, suscetível de tornar-se a manifestação do sentido humano" (GREIMAS, 1970, p. 52, tradução minha), este texto propõe uma leitura da construção narrativa identitária dos sujeitos, levando em conta desde seu contato com o mundo físico, por meio da percepção sensorial, paulatinamente categorizada e recategorizada socialmente, até sua integração ao universo social das narrativas culturais. Esse conjunto complexo e compósito é concebido em relações dialéticas internas e externas, num processo inesgotável de mão dupla, o mundo integrando a identidade dos sujeitos e os sujeitos, ao integrarem o mundo, tornando-se capazes, mesmo se minimamente, de modificá-lo.O livro se organiza em três partes. A primeira, Entre o perceber e o conceber, dedica-se à análise e discussão do processo de descoberta da linguagem e da construção de identidade realizado por Helen Keller, com base em seus relatos. Apoia-se na a proposta de semiogênese de Klinkenberg e Edeline (1998, 2011) e Groupe Mu, Edeline e Klinkenberg (2011), em diálogo com as integrações semióticas sucessivas de crescente complexidade, avançadas por Per Aage Brandt (2003, 2005, 2010). A segunda, Entre ficção e realidade, discute dez análises resultantes de pesquisas de dados discursivos ficcionais e empíricos, responsáveis pela paulatina formulação da hipótese examinada. "O homenzinho que anda engraçado" discute a análise das paixões vergonha, orgulho e honra em torno de Carlitos, o vagabundo de Chaplin; "Ideias sob a prova do tempo", focaliza contos de Andersen e de Roald Dahl, sob o mesmo prisma. "Espaços literários: o campo e a cidade" apresenta os resultados da investigação dessas paixões em contos das canadenses Margaret Atwood e da ganhadora do Nobel de 2014, Alice Munro; "Espaços literários: guerras" destaca a análise, pelo mesmo viés, de dois romances de Michael Ondaatje, "The English Patient" e "Anil's Ghost". "Espaços transicionais" debruça-se sobre as imagens de si de adolescentes portadoras de distúrbios alimentares, em duas séries televisivas de grande penetração, "Degrassi" e "Gossip Girl", e sobre a construção identitária de agentes de segurança penitenciária, a partir de entrevistas. "Espaços cotidianos da casa e da rua" traz mais dois recortes: "Valores dos Jovens de São Paulo", pesquisa conduzida junto a 5160 adolescentes da Grande São Paulo, em 2005, com Yves de La Taille, e a análise de entrevistas com jovens francesas e brasileiras, feitas em parceria com Françoise Bariaud, Université de Rennes 2, sobre o que é "ser adulto"."Das telas e livros para a vida" fecha esse bloco, propondo um crivo de leitura comum às pesquisas discutidas.A terceira parte, "Entre sapos, princesas, corações e mentes", retorna ao campo teórico e se ancora na intersecção da semiótica francesa, retórica e semiótica cognitiva, a fim de contemplar o papel de componentes socioculturais no processo de significação e de construção do humano. Revisita os "Estereótipos" e o "Ethos" e propõe sua integração, sob o ponto de vista da "Conservação e mudança: normas endógenas, interpretação e resíduos", pautada por reflexões do Groupe Mu.O "Posfácio" nada mais é que a admissão explícita da centelha que iniciou o livro: uma experiência sensível intensa, a ponto de catapultar a dimensão inteligível para além do território de conhecimento até ali conquistado. (AU)