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Mímesis performativa: a margem de invenção possível

Processo: 15/04874-0
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de junho de 2015 - 31 de maio de 2016
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Artes - Teatro
Pesquisador responsável:Luiz Fernando Ramos
Beneficiário:Luiz Fernando Ramos
Instituição-sede: Escola de Comunicações e Artes (ECA). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Invenções  Artes visuais  Teoria 

Resumo

O livro retoma a noção de mimesis desde Platão e Aristóteles, investigando sobretudo as suas manifestações enquanto fenômeno espetacular e tentando traçar um seu diálogo com a noção moderna de estética, principalmente no que ela instaura uma crise no projeto da representação dramática e abre caminho para um teatro antidramático ou performativo. Trata-se de uma reunião de ensaios, interconectados em torno do conceito proposto de mimesis performativa, tomado como potencial operador analítico da cena contemporânea e aplicado à análise de uma série de artistas de campos distintos como o teatro, a performance e as artes visuais e plásticas. Se esse escopo compreenderia todas as manifestações espetaculares nesses campos que partilhassem com a cena teatral o compromisso com um espectador atento, o recorte proposto descarta aquelas ainda estruturadas numa perspectiva dramática e opta pela investigação vertical de alguns exemplos que caracteristicamente se propõe antidramáticos, ou antimiméticos, ao se negarem à mimesis realista. Nessa perspectiva opõe ao dramático o performativo, como instância espetacular desprendida dos sentidos finalistas e aberta à invenção e à ampliação das possibilidades da forma espetacular. São exatamente essas alternativas performativas, ou pós-dramáticas, contemporâneas, quer seja no teatro, quer seja nas artes visuais, que permitem propor a ideia de uma margem de invenção possível. Esta operaria até mesmo dentro das formas dramáticas de espetacular, mas se configuraria melhor e mais nitidamente no que se está chamando de mimesis performativa. Diante dessas premissas conceptuais e de um foco crítico específico na noção de antiteatralidade, projeta-se na primeira parte uma cena expandida em que volta a fazer sentido mobilizar-se esse antigo operador conceitual da estética até o modernismo, a mimesis, tomando-o na perspectiva performativa e apreendendo obras que exploram novos modos inventivos do espetacular, para além da ficção dramática. Nesse aspecto, discute-se em particular a ideia de antiteatralidade do crítico historiador de artes plásticas, Michael Fried, e dialoga-se com as noções de linha e superfície de Vilém Flusser, aproximando-as da oposição analítica da Poética de Aristóteles entre mythos e opsis, e da hegemonia contemporânea do espetacular e performativo sobre o enredado e conectado, da sensibilidade áudio táctil sobre a linha e a cognição racional. A segunda parte mobiliza essas ideias para analisar obras de seis artistas, produzidas da segunda metade do século 20 até a contemporaneidade. Bill Viola, Juan Muñoz, Samuel Beckett, Jack Smith, Mathew Barney e Romeu Castelucci, têm obras suas descritas e comentadas do ponto de vista de serem performativas e espetaculares. A terceira parte aplica a ideia de um teatro antiteatral, no sentido de ser antidramático, ao teatro brasileiro. Assim, numa revisão histórica desde o século 19, resgata-se as dramaturgias de Qorpo Santo e Oswald de Andrade, e os projetos cênicos de Luiz Roberto Galizia, Gerald Thomas e outros encenadores brasileiros. Por fim analisa-se obra de dois artistas contemporâneos, Nuno Ramos e Roberto Alvim, mostrando como cada um deles em tensão com seus campos de origem, constrói uma mimesis performativa que expande esses mesmos campos e permite novas configurações inventivas do espetacular.Um último capítulo cartografa os elementos, na bibliografia selecionada sobre mimesis, mais relevantes para a formular-se a noção de mimesis performativa e realizar-se as análises e especulações apresentadas nos capítulos anteriores. (AU)