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Conspirações da raça de cor. escravidão, liberdade e tensões raciais em Santiago de Cuba (1864-1881)

Processo: 15/07016-5
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de junho de 2015 - 31 de maio de 2016
Área do conhecimento:Ciências Humanas - História - História da América
Pesquisador responsável:Sidney Chalhoub
Beneficiário:Sidney Chalhoub
Instituição-sede: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Vinculado ao auxílio:13/21979-5 - Entre a escravidão e o fardo da liberdade: os trabalhadores e as formas de exploração do trabalho em perspectiva histórica, AP.TEM
Assunto(s):Escravos  História social  Relações raciais 

Resumo

Entre 1864 e 1881, a jurisdição de Santiago de Cuba, situada na região oriental da ilha, foi palco de conspirações e insurreições antiescravistas e anticoloniais. Em 1867, foi descoberto um plano de sublevação envolvendo escravos e livres de cor com o objetivo de pôr fim à escravidão; nos anos seguintes, a região seria o cenário de duas guerras anticoloniais: a Guerra de Dez Anos (1868-1878) e a Guerra Pequena (1879-1880). Nos conflitos, houve grande mobilização de escravos e livres de cor e os insurretos lograram formar um Exército Libertador multirracial. Estas insurreições forçaram a Espanha a encaminhar a emancipação gradual da escravidão e foram marcadas pela emergência de líderes negros e mulatos que pautaram a luta contra o domínio colonial, a escravidão e as barreiras raciais. Em 1880-1881, após ser aprovado o Patronato (última lei de emancipação), as autoridades espanholas promoveram uma violenta repressão a uma suposta "conspiração da gente de cor" e a deportação de centenas de negros e mulatos para Fernando Pó, na Costa da Guiné. Através destes episódios, investigados a partir de uma vasta documentação, que inclui textos de viajantes, testamentos, censos, processos instaurados pela Comissão Militar, correspondências de autoridades coloniais e debates parlamentares, discuto como uma parte da população de cor passou a reivindicar a identidade racial. Para isto, analiso o complexo sistema de classificação racial em Cuba e as diversas clivagens internas à população de cor, as transformações no vocabulário político dos não brancos e a aproximação entre negros e mulatos para fins de mobilização política. Concluo argumentando que, entre 1864-1881, quando se fortaleceram as críticas à escravidão e foram aprovadas leis de emancipação gradual, houve o recrudescimento das linhas raciais em Santiago de Cuba, ao mesmo tempo em que, junto à formação da identidade nacional que se forjava nas lutas anticoloniais, negros e mulatos se unificavam reivindicando o pertencimento à "raça de cor". (AU)