Busca avançada
Ano de início
Entree

Alterações imunotoxicológicas e estresse oxidativo de eritrócitos e neutrófilos em trabalhadores expostos à silica

Processo: 01/13823-8
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Temático
Vigência: 01 de novembro de 2003 - 30 de novembro de 2009
Área do conhecimento:Ciências Biológicas - Farmacologia - Toxicologia
Pesquisador responsável:Mary Luci de Souza Queiroz
Beneficiário:Mary Luci de Souza Queiroz
Instituição-sede: Faculdade de Ciências Médicas (FCM). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Pesquisadores principais:Leonilda Maria Barbosa dos Santos
Bolsa(s) vinculada(s):07/53901-4 - Investigação da autoimunidade em associação à exposição ocupacional à sílica, BP.DR
Assunto(s):Autoimunidade  Estresse oxidativo  Imunoglobulinas  Sílica  Células matadoras naturais  Eritrócitos  Neutrófilos 
Publicação FAPESP:http://www.fapesp.br/tematicos/saude_queiroz.pdf

Resumo

O rápido avanço nas áreas de biologia e genética do sistema imune associado às novas descobertas sobre a natureza das alterações autoimune, vem possibilitando estudos mais abrangentes relacionados a estas doenças. Paralelamente, estudos de manifestações autoimune em animais aumentam nossa compreensão dos mecanismos biológicos subjacentes nesses processos patológicos e trazem indicações de vários fatores ambientais responsáveis por induzir doenças autoimune no homem. A sílica cristalina, ou quartzo, é um mineral abundante encontrado na areia, pedra e solo. Níveis elevados de exposição à poeira de sílica podem causar inflamação crônica e fibrose no pulmão e em outros órgãos. Estudos em indivíduos com exposição ocupacional a altos níveis de sílica (e.g. mineiros) demonstram índices aumentados de doenças autoimune, em comparação com aqueles observados na população em geral. A deposição pulmonar de sílica cristalina pode resultar num ciclo de lesão pulmonar, proliferação de fibroblastos e excesso de produção de colágeno no pulmão causando fibrose pulmonar ou silicose. Após contato com a sílica, os macrófagos alveolares produzem vários fatores inflamatórios e fibrogênicos como as espécies reativas do oxigênio (ROS), os mediadores lipídicos, as citocinas (IL-I, IL-6, TNF-a) e os fatores de crescimento derivados demacrófagos, os quais são críticos para a patogenia induzi da pela sílica. Estudos experimentais demonstram que a sílica pode atuar como adjuvante, aumentando a reposta imune de forma não-específica. Este é um dos mecanismos pelo qual a sílica pode estar envolvida no desenvolvimento de doença autoimune. Estudos epidemiológicos que avaliam a relação entre exposição à sílica e doença autoimune demonstram forte associação entre lupus eritematoso sistêmico, artrite reumatóide, vasculite e glomerulonefrite associados com ANCA e escleroderma. No entanto, muitas dúvidas permanecem relacionadas à patofisiologia, etiologia, mecanismos e multiplicidade de efeitos decorrentes da exposição à sílica. Por exemplo, silicose e pneumoconioses tem sido associadas com níveis aumentados de autoanticorpos, imunocomplexos e imunoglobulinas, mesmo na ausência de indicadores clínicos de doenças autoimune específicas. Muitos casos de doença autoimune em indivíduos expostos à sílica foram identificados durante a investigação ou tratamento de silicose. Além disso, em alguns indivíduos expostos à sílica, a doença autoimune se desenvolve anteriormente às manifestações clínicas de silicose. Portanto, não está claro se a silicose constitui apenas um marcador de exposição a altos níveis de poeira de sílica ou se representa um processo patológico que pode predispor alguns indivíduos ao desenvolvimento de doença autoimune. Até o momento, a maioria dos estudos não prosseguem com exames sistêmicos de parâmetros indicadores de autoimunidade em indivíduos que apresentam silicose. Dessa forma, tornam-se escassas as informações sobre o tipo e persistência das alterações imunológicas e a relação dessas alterações com o desenvolvimento e progressão de doenças autoimune e com a dose de sílica recebida. Com o objetivo dar prosseguimento aos estudos sobre autoimunidade associada com exposição a fatores ambientais foi realizado em maio/2000 em Bilthoven, Holanda, o "Exploratory Meeting Epidemiology on Occupational and Environrnental Factors Associated with Autoimmunity", o qual foi promovido e financiado pelo National Institute of Public Health and the Environment, Bilthoven, The Netherlands; the International Programme on Chemical Safety, Geneva, Switzerland and the National Institute of Environmental Health Sciences, Research Triangle Park, NC, USA. O objetivo desse encontro foi decidir sobre as metodologias mais adequadas e estabelecer estudos em colaboração para avaliar autoimunidade e doenças autoimune no homem em associação com exposições químicas e ambientais. Neste encontro estavam presentes cerca de 30 cientistas das áreas de epidemiologia, imunologia clínica e imunotoxicologia. O presente projeto, em associação com o Prof Cohen Tervaert, um pesquisador prominente e com liderança na área de imunotoxicologia clínica, é uma das conseqüências positivas da minha participação nesse encontro (segue em anexo cópia da publicação do referido encontro). Durante os últimos dez anos, estudamos em nosso laboratório alguns efeitos decorrentes da exposição ocupacional ao chumbo, mercúrio, hexaclorobenzeno e pesticidas sobre a reposta imunológica. Em particular, os estudos relacionados ao mercúrio sugerem que a autoregulação observada em modelos experimentais de autoimunidade pode também ocorrer no homem. Com este projeto, pretendemos dar prosseguimento aos estudos sobre o desenvolvimento de autoimunidade em associação à exposição ocupacional a fatores ambientais através da avaliação de alterações imunotoxicológicas e do estresse oxidativo de eritrócitos e neutrófilos em indivíduos com exposição ocupacional à sílica. (AU)

Publicações científicas
(Referências obtidas automaticamente do Web of Science e do SciELO, por meio da informação sobre o financiamento pela FAPESP e o número do processo correspondente, incluída na publicação pelos autores)
ROCHA-PARISE, MICHELLE; SANTOS, LEONILDA M. B.; DAMOISEAUX, JAN G. M. C.; BAGATIN, ERICSON; LIDO, ALESSANDRO V.; TORELLO, CRISTIANE OKUDA; COHEN TERVAERT, JAN W.; QUEIROZ, MARY L. S. Lymphocyte activation in silica-exposed workers. INTERNATIONAL JOURNAL OF HYGIENE AND ENVIRONMENTAL HEALTH, v. 217, n. 4-5, p. 586-591, APR-MAY 2014. Citações Web of Science: 11.
ROCHA, MICHELLE C.; SANTOS, LEONILDA M. B.; BAGATIN, ERICSON; TERVAERT, JAN W. COHEN; DAMOISEAUX, JAN G. M. C.; LIDO, ALESSANDRO V.; LONGHINI, ANA L.; TORELLO, CRISTIANE O.; QUEIROZ, MARY L. S. Genetic polymorphisms and surface expression of CTLA-4 and PD-1 on T cells of silica-exposed workers. INTERNATIONAL JOURNAL OF HYGIENE AND ENVIRONMENTAL HEALTH, v. 215, n. 6, p. 562-569, NOV 2012. Citações Web of Science: 9.
QUEIROZ, JULIA DE SOUZA; TORELLO, CRISTIANE OKUDA; PALERMO-NETO, JOAO; VALADARES, MARIZE C.; QUEIROZ, MARY L. S. Hematopoietic response of rats exposed to the impact of an acute psychophysiological stressor on responsiveness to an in vivo challenge with Listeria monocytogenes: Modulation by Chlorella vulgaris prophylactic treatment. BRAIN BEHAVIOR AND IMMUNITY, v. 22, n. 7, p. 1056-1065, Oct. 2008. Citações Web of Science: 14.

Por favor, reporte erros na lista de publicações científicas escrevendo para: cdi@fapesp.br.