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Memória da fase sanatorial em São José dos Campos e campos do Jordão, SP (1920-1960)

Processo: 14/11849-0
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de agosto de 2015 - 31 de outubro de 2017
Área do conhecimento:Ciências Humanas - História - História do Brasil
Pesquisador responsável:Valéria Regina Zanetti
Beneficiário:Valéria Regina Zanetti
Instituição-sede: Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento (IP&D). Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP). São José dos Campos , SP, Brasil
Pesq. associados:Paula Vilhena Carnevale Vianna
Assunto(s):História regional do Brasil  Planejamento territorial urbano  Cidades  Memória social  Hospitais psiquiátricos  Tuberculose  São José dos Campos (SP)  Campos do Jordão (SP) 

Resumo

São José dos Campos e Campos do Jordão/SP foram, no início do século XX, importantes centros de tratamento da tuberculose. Os dois municípios, um de média e outro de alta altitude, se especializaram em concentrar, em seus espaços de tratamento (hospitais, sanatórios e pensões), doentes acometidos da tuberculose; doença altamente contagiosa na época. A reunião de tísicos nesses espaços exigiu a criação de normas sanitárias que impuseram relações de convivência específicas, que visavam separar os doentes e mudar a rotina dos moradores sãos, assombrados com a possibilidade de contágio. Até a metade do século XIX, não havia prevenção e nem cura da tuberculose, o que impôs a uma nova dinâmica social com específicas redes de sociabilidades. Moradores e doentes das cidades de São José dos Campos e Campos do Jordão vivenciaram momentos particulares em que a tuberculose regia seus cotidianos. É nesse sentido que se explica o recorte espacial, uma vez que essas duas estâncias foram dois grandes centros de tratamento do estado de São Paulo que apresentavam características propícias ao combate do bacilo causador da doença, mas que reuniam pessoas de distintas condições sociais. Campos do Jordão, estância desde 1926, foi considerada a cidade que tinha o melhor clima do mundo, fazendo jus ao apelido de "suíça Brasileira". Para lá foram os doentes mais abastados, enquanto os mais pobres procuravam a estância de São José dos Campos que, criada uma década depois, acabou estigmatizada como a "cidade dos Tuberculosos". Essas nomenclaturas por si só explicam as representações em torno dessas cidades. Ambas reuniam tuberculosos; no entanto, a ocupação social do espaço definiu a forma como passavam a ser chamadas as duas estâncias.As estâncias viviam duas vidas diferentes que entravam em constantes conflitos: a vida comum de qualquer outra cidade do interior e a da estação climatérica. Tendo essa realidade e as relações de aproximação/distância como base, pergunta-se: como era a convivência dos doentes com os moradores das duas estâncias? Existiam relações de sociabilidades entre esses indivíduos? Se existiam como eram os momentos alegres e de descontração? Como viviam os tuberculosos de ambos os gêneros casados que procuraram tratamento nas estâncias, afastados por anos ou décadas de suas famílias? Qual a visão que os moradores da cidade tinham dos enfermos? Como se estabeleciam relações de serviços entre os tuberculosos e determinadas categorias profissionais, tais como cozinheiros, serventes de mesa, barbeiros, dentistas, professores, lavadores de roupa, etc? Quais os espaços permitidos e proibidos aos tuberculosos? Que destinos eram dados às crianças nascidas nos espaços de tratamento? Havia diferenças de sociabilidades entre os sujeitos das duas estâncias? Por sofrerem o estigma da doença, esses dois municípios viveram um processo de esquecimento e apagamento do passado senatorial, para dar vazão ao presente próspero e saudável das suas novas realidades sociais. São José dos Campos se tornou, a partir da década de 1950 um polo industrial e tecnológico e Campos do Jordão, pela Lei n. 1.844, em 1978, uma estância turística. A pesquisa possibilitará a criação de um banco de dados visando recuperar lembranças e reconstituir uma importante história da vida das estâncias de São José dos Campos e Campos do Jordão no início dos novecentos, por meio da memória social. (AU)