Resumo
Este projeto investiga as condições de emergência e desenvolvimento da Psicanálise no Brasil, focando, principalmente, na questão da expansão das principais instituições psicanalíticas durante o violento período da ditadura no país (1964-1985). Este crescimento e disseminação cultural da Psicanálise no Brasil foram acompanhados, no entanto, de uma rarefeita contribuição original à teoria e à prática psicanalítica em âmbito internacional, e de uma relação complexa e conflitiva, no interior das próprias instituições psicanalíticas, com o regime autoritário. Para examinar em profundidade estes fenômenos, esta pesquisa concentra-se em: 1. Práticas institucionais psicanalíticas em períodos de violência política. Inclui os efeitos do regime autoritário sobre a Psicanálise; a relação entre práticas de trabalho individualistas, tais como as psicoterapias em consultórios particulares, e condições sociais mais amplas; e o que ocorreu no período pós-ditadura em relação às exigências de reconhecimento da cumplicidade das instituições psicanalíticas, ou ao contrário, ao silenciamento da memória. 2. Fluxos e especificidades da produção de conhecimento psicanalítico no Brasil. Embora o Brasil seja considerado predominantemente como receptor de conhecimento psicanalítico dos países do hemisfério norte, aqui a Psicanálise desenvolveu-se de modo criativo e influenciou diversas formas de trabalho no campo psicoterapêutico, particularmente se levarmos em consideração suas respostas a contextos sociais específicos durante o século XX, incluindo sua contribuição em situações políticas extremas. A investigação será conduzida através de três métodos interligados: 1. Pesquisa em arquivos de sociedades brasileiras de psicanálise em São Paulo e Rio de Janeiro, centros importantes de prática e difusão psicanalítica no país. 2. Análise da literatura psicanalítica brasileira. 3. Entrevistas com psicanalistas que viveram e trabalharam no período ditatorial. A pesquisa deve vir a constituir um estudo de caso detalhado sobre o impacto da repressão política na profissão e em suas práticas intelectuais e mostrar as maneiras pelas quais os fluxos do conhecimento se fizeram entre o Brasil e os centros hegemônicos de produção psicanalítica. (AU)
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