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O primado da percepção e suas consequências no ambiente midiático

Resumo

O trabalho visa examinar aspectos da comunicação contemporânea pelo viés da percepção. Trata-se de uma hipótese que emerge em autores tão distintos como Walter Benjamin, Marshall McLuhan e Vilém Flusser, que atribuem grande importância à mediação tecnológica nos modos de perceber o mundo e formalizar o conhecimento. Procura-se verificar em que medida a onipresença da mediação digital - da ordenação do poder aos afetos privados - tem dado origem a modos específicos de perceber, significar o mundo e formalizar a experiência. Inquire-se portanto, pela natureza de uma percepção digital nas sociedades contemporâneas. Para tanto, examina-se a natureza da percepção, a partir de Merleau-Ponty - que a define como berço do sentido da experiência vivida -, e das pesquisas contemporâneas da antropologia dos sentidos(Classen; Howes), que permitem superar o conceito de ponto de vista - que marca a primazia da visão na modernidade - pelo de ponto de experiência: o modo como uma cultura percebe e significa o mundo. Em seguida, examina-se o caráter tecnológico da mediação no Ocidente contemporâneo, tomando por base Martin Heidegger, Vilém Flusser, Marshall McLuhan e Walter Benjamin. Procedendo a um inventário de manifestações culturais tão distintas como chats, redes, games, VJs, e a arte contemporânea,conclui-se que a mediação digital tem determinado um novo ponto-de-experiência, característico de uma cultura digital (Gere), em que a visão se integra de modo mais equilibrado aos demais sentidos, intensificando os estímulos sensoriais e alterando noções de tempo e espaço, segundo, porém, uma estrutura subliminar inerente à precisão e à eficiência tecnológicas. PALAVRAS CHAVE: comunicação, percepção, tecnologia, experiência, sinestesia, cultura digital. (AU)