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Antropofagia palimpsesto selvagem

Processo: 15/08482-0
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de setembro de 2015 - 31 de agosto de 2016
Área do conhecimento:Interdisciplinar
Pesquisador responsável:Renato Ferracini
Beneficiário:Renato Ferracini
Instituição-sede: Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais (LUME). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Assunto(s):Antropologia  Oswald de Andrade  Filosofia  Cultura brasileira  Artes  Antropofagia 

Resumo

O livro Antropofagia - Palimpsesto Selvagem trata de tema central para a história cultural do Brasil. Beatriz Azevedo procura colocar em cena esta história mantida obs/cena, este tema tabu, e provocar reflexões contemporâneas a partir do tema da Antropofagia, em perspectiva plural, abarcando desde o ritual dos Tupinambá antes da chegada dos colonizadores europeus em 1500, passando pela eclosão do movimento antropofágico durante o Modernismo no século XX, o Tropicalismo na década de 60, o Mangue Beat na década de 90, até as primeiras décadas do século XXI.Em devir e transcriação permanente, a Antropofagia inspirou artistas e intelectuais como Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Flávio de Carvalho, Mário de Andrade, Raul Bopp, Patrícia Galvão, Augusto de Campos, Haroldo de Campos, Décio Pignatari, Zé Celso Martinez Correa, Lina Bo Bardi, Glauber Rocha, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Os Mutantes, Torquato Neto, Waly Salomão, Hélio Oiticica, Eduardo Viveiros de Castro, Chico Science, e muitos outros; toda a invenção cênica do Teatro Oficina da década de 60 até os dias de hoje, e ainda as novas transformações artísticas da era digital.Para Augusto de Campos, a antropofagia é a "única filosofia original brasileira". Para o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, "a Antropofagia Oswaldiana é a reflexão metacultural mais original produzida na América Latina até hoje. Era e é uma teoria realmente revolucionária".A Antropofagia em realidade nunca saiu da pauta dos grandes pensadores da cultura brasileira. Nesse sentido, o elenco de artistas, intelectuais e ativistas antropófagos é propositadamente multidisciplinar, indo da filosofia à crítica de arte, do jornalismo ao teatro, da poesia à antropologia, da música às artes visuais, da arquitetura às redes digitais, da performance ao ritual, dos quilombolas aos ameríndios, dos museus aos terreiros, das livrarias às aldeias, das universidades às tabas.Oswald de Andrade publicou em 1928, na Revista de Antropofagia, seu Manifesto Antropófago - híbrido de ensaio polêmico, paródia literária, manifesto filosófico, revisão histórica, panfleto de provocação, mito antropológico e roteiro fragmentado. Antropofagia - Palimpsesto Selvagem procura abordar o manifesto em sua complexidade conceitual, política, formal, artística e cultural. Percorrendo seus 51 aforismos, onde o autor articula história, filosofia, antropologia, psicologia, economia, política, múltiplos temas e personagens, pretendemos ainda descobrir diálogos de Oswald com autores e textos, investigando as fontes por ele explicitadas (bem como sondar aquelas não aparentes), ao longo da exposição de ideias e princípios no Manifesto Antropófago. Nessa visada crítica, destacamos especialmente três pensadores que marcaram profundamente as formulações de Oswald de Andrade, a saber: Montaigne, Freud e Nietzsche. Nesse sentido, tais pensadores também serão alvo de algumas reflexões neste mapeamento crítico do Manifesto Antropófago. Embora o tema da Antropofagia seja palmilhado em toda a obra do autor, este estudo centra-se primordialmente no texto de 1928. Assim, o propósito será explorar um a um o conteúdo de seus aforismos, buscando na medida do possível articular relações com outros textos do autor e com autores com os quais dialoga, acreditando que o Manifesto Antropófago representa a coluna vertebral do corpus antropofágico da obra de Oswald de Andrade.Palavras-chave: Oswald de Andrade, antropofagia, Manifesto Antropófago, cultura brasileira, literatura, teatro, antropologia, filosofia. (AU)