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As fábricas recuperadas no Brasil: o desafio da autogestão

Processo: 15/07672-0
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de setembro de 2015 - 31 de agosto de 2016
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Sociologia - Outras Sociologias Específicas
Pesquisador responsável:Jacob Carlos Lima
Beneficiário:Jacob Carlos Lima
Instituição-sede: Centro de Educação e Ciências Humanas (CECH). Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). São Carlos , SP, Brasil
Assunto(s):Trabalho  Autogestão  Economia solidária  Cooperativismo  Sociologia do trabalho 

Resumo

O contexto gerado pela reestruturação produtiva associada às crises financeiras e mudanças na economia brasileira no final dos anos 1990 provocou a falência de muitas empresas e resultou em aumento do desemprego e precarização das relações de trabalho. Assim, os trabalhadores foram levados a buscar outras formas de obter renda, entre as quais, o trabalho associado. A ANTEAG (Associação Nacional de Trabalhadores em Empresas de Autogestão e Participação Acionária) surgiu nesse contexto, com o objetivo de apoiar grupos de trabalhadores a se unirem e assumirem o controle das fábricas falidas onde trabalhavam, preservando seus postos de trabalho. Surgiram, então, as primeiras fábricas recuperadas. Nesse momento, também passa a ganhar força o movimento da Economia Solidária, e é criada a UNISOL Brasil (Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários), que passa a apoiar diversos tipos de empreendimentos econômicos solidários, entre os quais as fábricas recuperadas. Assim, a proposta de nossa pesquisa foi fazer um balanço da situação atual das fábricas recuperadas no Brasil, a partir do retorno a algumas experiências pioneiras de recuperação de empresas. Nosso objetivo foi verificar se e em que medida os valores cooperativos e autogestionários se fazem presentes nesses empreendimentos até hoje. Para tanto, realizamos uma revisão bibliográfica de estudos de caso sobre as fábricas recuperadas e visitamos diversos empreendimentos desse tipo, onde realizamos observações e entrevistamos lideranças e trabalhadores. Além disso, buscamos olhar para nosso tema à luz de uma perspectiva internacional, a partir de visitas à Argentina e a França. De maneira geral, notamos que, embora os ideais do cooperativismo e da chamada autogestão permaneçam presentes nos discursos de muitos trabalhadores, sua efetivação encontra muitos obstáculos na prática, uma vez que, para serem viáveis, as fábricas recuperadas enfrentam muitas pressões do mercado, que acabam por modificar alguns de seus objetivos iniciais. (AU)