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Formação docente em tempos de educação inclusiva

Resumo

A proposta da educação inclusiva é uma tendência universal nas sociedades democráticas contemporâneas. Sua implementação, enquanto política pública, tem suscitado muitas polêmicas, seja pela quantidade e/ou qualidade dos recursos que se colocam à disposição, seja pelo grau de aproveitamento efetivo desses recursos. Temos observado a prevalência de um modelo jurídico-administrativo na abordagem da discussão das vicissitudes e dos impasses da inclusão, que privilegia a dimensão da implementação material do dispositivo inclusivo, através dos meios administrativos e jurídicos necessários.Em que pese a importância das discussões referentes ao âmbito jurídico-administrativo, nossa pesquisa parte de uma constatação do limite do poder das medidas tomadas neste âmbito para a efetiva instalação de um processo inclusivo. Com efeito, não basta que os recursos estejam disponíveis e instalados se não houver a implicação dos vários sujeitos envolvidos no processo em questão, a saber, alunos, pais, professores e agentes pedagógicos em geral. Essa implicação não pode advir da simples medida administrativa. Sabemos dos impasses que as políticas brasileiras de educação inclusiva têm nos colocado. Entre eles, a formação de professores se destaca, seja pelo impacto que a nova realidade da educação inclusiva instaura no cotidiano escolar, obrigando os professores a reverem suas práticas, seja pela queixa frequente e persistente destes reivindicando cursos de formação que os prepare para a nova realidade. Tal queixa e reivindicação, em geral é predominantemente motivada pela presença de alunos com transtornos globais do desenvolvimento, que parecem ser o maior desafio da educação inclusiva.Em consonância com uma ampla discussão sobre a efetividade de modelos de formação docente, que inclui teóricos da Sociologia, da Pedagogia, Psicologia, etc, propomos em nossa pesquisa testar a validade e a efetividade de um modelo de formação centrado nas premissas de trabalho oriundas do campo de pesquisa da Psicanálise e Educação: basicamente, a da inclusão da noção de sujeito do inconsciente. Em contraposição ao modelo dominante de formação docente, cunhado no seio da ideologia de rendimento e centrado na premissa do domínio conceitual para fins instrumentais, o modelo aqui concebido tem como premissa a constatação de que o domínio conceitual e instrumental não é suficiente para uma efetiva mudança das práticas. Constatação, aliás, corroborada por vários autores da Sociologia, da Pedagogia, e da Psicanálise.O grupo de escuta de professores é o modelo aqui proposto para ser testado, por representar uma excelente possibilidade de trabalho que inclui o sujeito em sua particular relação com o saber. Reunidos em torno de uma tarefa comum: discutir seus problemas com o trabalho inclusivo, os professores se veem frente a identificações horizontais com seus pares e não apenas expostos a uma identificação vertical com o Mestre, que supostamente detém o saber. O manejo dessa discussão, orientado pela ideia de giro discursivo, proposta por Lacan em sua teoria dos discursos, pode encaminhar o trabalho na direção de uma aquisição de saber com implicação de sujeito, portanto, com mais significação e efetividade na prática. Pretende-se assim realizar uma pesquisa que se desdobra em dois eixos simultaneamente. No primeiro, o objetivo é construir um inventário de modos discursivos que compõem o laço social professor-aluno. No segundo eixo, o objetivo é testar a validade e efetividade desse modelo de trabalho com grupos enquanto trabalho formativo. Em caso afirmativo, espera-se que os achados da pesquisa possam contribuir para a discussão mais ampla sobre formação de professores, que instrui as decisões governamentais quanto às políticas públicas da educação inclusiva. (AU)

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