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Patrimônio cultural: memória e intervenções urbanas

Processo: 15/11717-9
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de outubro de 2015 - 31 de janeiro de 2017
Área do conhecimento:Ciências Sociais Aplicadas - Arquitetura e Urbanismo - Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
Pesquisador responsável:Renato Cymbalista
Beneficiário:Renato Cymbalista
Instituição-sede: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Patrimônio cultural  Patrimônio histórico  Intervenção urbana  Memória  Livros  Publicações de divulgação científica 

Resumo

Os artigos apresentados neste livro mostram problematizações do patrimônio e da memória nas cidades em diferentes perspectivas, trazidos pelos autores que participaram de encontro ocorrido em São Paulo em 2013. A primeira parte do livro denomina-se "posocionamentos". Três textos levantam questões de fundo que permeiam a temática da memória e do patrimônio. Tali Hatuka problematiza o crescimento da relevância da memória e da memorialização no território a partir da ideia de que nas décadas recentes ocorreu uma mudança na relação da sociedade ocidental com a própria dimensão temporal. Paulo Peixoto alerta para os riscos da operacionalização da categoria do patrimônio imaterial, a transformação de práticas e ritos em commodities, e ao mesmo tempo revela os processos de apropriação e cópia de marcos arquitetônicos e paisagísticos ocidentais pelo urbanismo contemporâneo chinês. Sharon Zukin insere práticas recentes de memorialização nas dinâmicas gerais do capitalismo, mostrando as aderências entre a preservação de bairros, a gentrificação e a competição por localização intra e entre cidades. Gabi Dolff Bonekämper investiga a propriedade de mudança de perspectivas, de apropriação de narrativas e memórias de terceiros, como pressuposto para uma compreensão densa e complexa de significados históricos vinculados a locais específicos. Outros textos voltam-se para problemáticas mais específicas. Ana Rosas Mantecón analisa o panorama das instituições culturais da Cidade do México, desafiadas pela expansão das demandas por políticas e instituições culturais e as restrições de recursos públicos. Graça Cordeiro recupera as narrativas de grupos sociais que ocupam bairros em Lisboa e Cambridge, Massasschussets, mostrando as estratégias comunitárias de atribuição de 'caráter', 'tradição', 'identidade' aos lugares da cidade contemporânea, em interface com as políticas públicas e os consumidores dessa imagem etnicizada e folclorizada de determinados trechos urbanos. Carolina Aguilera mostra as tensões entre as narrativas favoráveis e contrárias ao passado de ditadura - mas também de progresso econômico - na sociedade chilena contemporânea, e as formas como tais tensões se rebatem no espaço da capital chilena. Sybille Frank mostra as várias escalas e ambiguidades que podem ser desveladas a partir de um ponto estratégico para a memória da guerra fria, o Check Point Charlie, ponto de passagem entre as antigas Berlins Ocidental e Oriental. Dois textos mostram a forma como instituições da sociedade civil apropriam-se e ocupam as narrativas históricas em busca de incidência na sociedade contemporânea, produzidos por autores inseridos nesses mesmos processos e instituições. Gonzalo Conte relata a experiência da ONG argentina Memoria Abierta no processo de reconstrução da justiça e da verdade após o traumático episódio de ditadura do país, trazendo à tona a própria dimensão forense dos espaços de memória. David Favaloro relata a trajetória institucional do Tenement Museum, que pesquisa e explora as narrativas de imigração, sobrevivência, trabalho, sonhos de ascensão social e desafios de assimilação cultural que se acomodaram durante décadas em um edifício de cortiços no Lower East Side nova-iorquino.Na segunda seção do livro, quatro pesquisadores do Núcleo de Apoio à Pesquisa São Paulo: cidade, Espaço, Memória constroem categorias de análise do conjunto de textos, selecionando autores específicos e apontando as possibilidades por eles abertas. Beatriz Mugayar Kuhl aponta as relações entre as escalas do edifício e da cidade. Sarah Feldman aborda a dimensão metropolitana do patrimônio cultural. Renato Cymbalista mostra o crescimento da relevância e as especificidades de tratamento dos sítios de memórias difíceis no debate contemporâneo. Fraya Frehse problematiza a seletividade e os critérios de seleção da memória no trânsito entre a materialidade e a imaterialidade da cidade e de suas narrativas. (AU)