Busca avançada
Ano de início
Entree

A macroeconomia e sua história

Processo: 16/01837-0
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Pesquisador Visitante - Internacional
Vigência: 01 de agosto de 2016 - 31 de agosto de 2016
Área do conhecimento:Ciências Sociais Aplicadas - Economia
Pesquisador responsável:Pedro Garcia Duarte
Beneficiário:Pedro Garcia Duarte
Pesquisador visitante: Michael Assous
Inst. do pesquisador visitante: Université Paris 1 Panthéon-Sorbonne, França
Instituição-sede: Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):História do pensamento econômico  Macroeconomia  Intercâmbio de pesquisadores 

Resumo

A Segunda Guerra mundial foi um ponto de inflexão na história da ciência econômica no século XX. Ela foi uma guerra científica que alçou os Estados Unidos à posição de potência acadêmica e polo geopolítico e que levou para aquele país um grande contingente de pesquisadores europeus que fugiam de regimes autoritários. Ela também fez com que economistas entrassem em contato com matemáticos aplicados e estatísticos em projetos militares, tendo a pesquisa operacional se tornado o loco desta troca de expertise. Neste contexto, o desafio enfrentado por historiadores da economia é prover contextos nos quais entender os desenvolvimentos científicos tais como, dentre muitos outros: como ferramentas matemáticas migraram de matemática e engenharia para economia; como a ciência econômica se transformou face à enorme expansão do sistema universitário norte-americano no imediato pós-segunda guerra e como se consolidou como um dos discursos dominantes em várias sociedades contemporâneas; como a formulação de políticas econômicas se tornou crescentemente orientada pelo uso de ferramentas e de conhecimento técnico, com os economistas tentando ao máximo participarem como conselheiros técnicos, isolados de julgamentos normativos e pessoais; o estabelecimento da macroeconomia como uma área autônoma da economia; etc. A historiografia da macroeconomia é demasiadamente estruturada em torno da ideia de "escolas do pensamento" que competem entre si. Se agrupar macroeconomistas em escolas por partilharem alguns elementos teóricos ou metodológicos em comum pode ser útil para propósitos pedagógicos, não é historicamente muito interessante a narrativa de desenvolvimentos em macroeconomia como disputas teóricas entre escolas porque isto deixa de lado uma das características essenciais da ciência econômica no período pós-segunda guerra: de ser uma ciência de modelos, que são objetos complexos que não pertencem a uma linha que conecta "teorias" ao "mundo real". Ao trazer a elaboração de modelos e o uso de técnicas para o centro da análise histórica da macroeconomia, ganha-se muito em termos de entendimento da prática dos economistas em construir modelos para observar sejam as flutuações econômicas, seja o crescimento econômico. Ademais, o agrupamento dos economistas em escolas é algo rotineiramente feito pelos próprios macroeconomistas. É o que ocorre com a narrativa canônica da macroeconomia mainstream nos anos 1980, como uma batalha entre dois grupos, os teóricos dos ciclos econômicos reais (seguidores de Robert Lucas e do resultado de que a política econômica sistemática não altera a alocação real na economia) e os novos keynesianos (que advogavam que a intervenção governamental é benéfica). Os Professores Assous e Duarte estão trabalhando em um projeto de pesquisa para analisar como um amplo grupo de economistas utilizaram a estrutura dinâmica dos chamados modelos de geração sobrepostas para criticar Lucas e seus seguidores, pesquisa esta que nos ajuda a melhor entender o desenvolvimento da macroeconomia neste período. Além de desenvolver e estender a pesquisa em andamento durante a visita de um mês à FEA-USP, o Professor Assous oferecerá para os alunos de pós-graduação um mini-curso sobre a história da macroeconomia vista através das diferentes concepções sobre a estabilidade de uma economia de mercado. Ele também interagirá proximamente com um amplo grupo de professores, sejam os da área de história do pensamento, sejam da área de macroeconomia (em particular os Professores Gilberto Tadeu Lima, Laura Carvalho e Fernando Rugitsky), fortalecendo assim nosso programa de pós-graduação. (AU)