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O cinema em cena ou a cena no cinema: humanismo e política no cinema épico de Manoel de Oliveira e Glauber Rocha

Processo: 15/22928-0
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de junho de 2016 - 31 de maio de 2018
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Letras - Teoria Literária
Pesquisador responsável:Renata Soares Junqueira
Beneficiário:Renata Soares Junqueira
Instituição-sede: Faculdade de Ciências e Letras (FCL). Universidade Estadual Paulista (UNESP). Campus de Araraquara. Araraquara , SP, Brasil
Pesq. associados: António Manuel João Preto ; Milca da Silva Tscherne
Assunto(s):Humanismo  Política 

Resumo

Este projeto, vinculado ao Grupo de Pesquisas em Dramaturgia e Cinema (GPDC) da UNESP e integrado ao projeto temático (em articulação) "Impasses do drama: representação e teatralidade nas artes cênicas e suas relações com outras artes", propõe um estudo comparado entre o cinema do realizador português Manoel de Oliveira (1908-2015) e o do brasileiro Glauber Rocha (1939-1981) a partir da hipótese de que os dois cineastas adotam, em linguagem cinematográfica, um método disjuntivo de composição diegética que os aproxima do teatro épico de Bertolt Brecht (1898-1956). Trata-se de identificar e descrever, num corpus que envolve três obras-primas de cada um dos dois realizadores, uma série de recursos epicizantes - à maneira de Brecht - usados sistematicamente. A intenção é aquilatar os efeitos da forma épica das duas produções na consolidação de uma dimensão política que, se em Glauber Rocha é bastante evidente, em Manoel de Oliveira não tem sido compreendida em todo o seu potencial, talvez por se apresentar veladamente, quase sempre mediatizada por fina ironia e sem qualquer propósito de instrumentalização ideológica da arte. O trabalho comparativo contemplará filmes cujas personagens representam toda uma coletividade - de alcance nacional no caso de NON OU A VÃ GLÓRIA DE MANDAR (1990), de Manoel de Oliveira - ou então grupos sociais desvalidos - pescadores pobres do litoral baiano e os pobres sertanejos brasileiros respetivamente em BARRAVENTO (1962), DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL (1964) e O DRAGÃO DA MALDADE CONTRA O SANTO GUERREIRO (1969), de Glauber Rocha; o povo simples da Curalha, pequena aldeia do norte de Portugal, e moradores pobres dos arredores das escadinhas de São Cristóvão, na Mouraria, centro histórico de Lisboa, respetivamente em ACTO DA PRIMAVERA (1963) e A CAIXA (1994) de Oliveira. Tenciona-se destacar, no cerne da estrutura épica, alguns componentes funcionais que, nos dois casos, parecem sugerir sentidos que implicam uma aguda consciência da referida dimensão política, a saber: a presença distinta da figura feminina; o estigma ou a deficiência física como elemento distintivo de protagonistas ou de personagens que exercem função de articulação diegética (com destaque para a personagem cega em ambos os casos); a crítica à mistificação religiosa encarnada em personagens místicas ou pretensamente "santas". Espera-se iluminar aspetos próprios, retomados pelos dois cineastas, das culturas portuguesa e brasileira. (AU)

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