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Uma nova paisagem urbana: Campinas dos anos 30 e 40

Processo: 16/04576-2
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de julho de 2016 - 30 de junho de 2017
Área do conhecimento:Ciências Sociais Aplicadas - Arquitetura e Urbanismo - Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
Pesquisador responsável:Mário Henrique Simão D'Agostino
Beneficiário:Mário Henrique Simão D'Agostino
Instituição-sede: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Arquitetura moderna  Arquitetura neocolonial  Art deco 

Resumo

O trabalho resulta da tese de doutorado apresentada à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo, em 2012, sob orientação de Mário Henrique Simão D'Agostino, com apoio financeiro da FAPESP.A partir da década de 1930, a cidade de Campinas foi alvo de um intenso processo de reformulação urbana, ensejado pela gradual transição da estrutura econômica preponderantemente rural para industrial. Num cenário de marcantes alterações estruturais, o espaço físico da urbe é reorganizado segundo uma visão progressista. Instaura-se, então, em Campinas, um grande projeto modernizador da paisagem urbana, delineado desde o final da década de 1920, e oficializado, em 1934, com a contratação, pelo poder público, do engenheiro e urbanista Francisco Prestes Maia. A demanda por uma espacialidade urbana, que introduz novos programas funcionais, aliada ao expressivo aumento do contingente de cidadãos, ofereceu um vasto campo de trabalho para os profissionais ligados à construção civil e à recém-instituída disciplina do urbanismo.A atuação da categoria de engenheiros foi decisiva para a viabilização da grande empreita modernizadora. Entre o grupo restrito de profissionais que participaram desse processo, destacamos quatro, em especial: Eduardo Edargê Badaró, engenheiro-arquiteto e urbanista, Hoche Néger Segurado, engenheiro civil, Lix da Cunha, engenheiro-arquiteto e Mário de Camargo Penteado, engenheiro-arquiteto. O primeiro deles, funcionário da prefeitura municipal, foi responsável pela implantação do plano de urbanismo de Prestes Maia, os demais, representavam os escritórios de engenharia e arquitetura mais atuantes da cidade, aos quais foi entregue a maior parte das encomendas edilícias do período estudado: décadas de 1930 e 1940.A nova configuração urbana da Campinas industrializada foi também resultante de suas atuações políticas visando à implantação do plano e do expressivo número de obras que construíram. Realizaram várias obras públicas no centro urbano reformulado, entre elas as mais significativas edificações que conformaram os pontos estratégicos do plano. Também impressiona a quantia de habitações que edificaram no bairro Cambuí, lócus eleito pela elite burguesa. Por todas as vias do bairro, encontram-se obras desses engenheiros. Os projetos eram elaborados segundo premissas modernas de distribuição funcional, de racionalização construtiva, de economia de meios, de confortabilidade, de sujeição às regras higienistas de insolação e ventilação e de despojamento decorativo, sobretudo para os projetos de caráter público, reservando ao programa residencial aplicação de repertórios ornamentais. Essa produção arquitetural contribuiu para consolidar o processo de modernização em curso, não apenas do plano físico-espacial da cidade, mas também da estrutura social, política, cultural e econômica. Buscou-se compreender o complexo jogo que envolvia a produção dessa arquitetura sob diversos pontos de vista. O que implica pensar as formulações teóricas e estéticas a que estava submetida, os procedimentos de sua materialização, os processos de desenho, as conexões urbanísticas, os jogos políticos e econômicos envoltos na sua produção, a maneira como as demandas sociais foram atendidas, as influências da formação acadêmica. Um campo ampliado de abordagens que favorecem a compreensão do objeto arquitetural como expressão artística de seu tempo.O viver e o habitar urbano na Campinas das décadas de 1930 e 1940 já estavam inseridos num mundo de plena modernidade, no entanto se verificou no decorrer da pesquisa que coexistem às inovações tecnológicas permanências de costumes e hábitos sociais. Todos se proclamaram modernos: os da vanguarda, que a tudo propuseram revolucionar, e aqueles que acompanharam as demandas do seu presente, a quem a pesquisa contempla. A obra desses engenheiros não propunha transformar hábitos e padrões sociais, ela acompanhava o seu próprio presente, de um tempo que já era moderno. (AU)

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