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Redações do Enem: réplicas ativas nas múltiplas vozes

Processo: 16/08445-0
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de julho de 2016 - 30 de junho de 2017
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Linguística - Linguística Aplicada
Pesquisador responsável:Maria Inês Batista Campos
Beneficiário:Maria Inês Batista Campos
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Letramento  Argumentação  Redação  Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 

Resumo

O objetivo da obra é investigar um conjunto de redações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)/2012, analisando as relações dialógicas estabelecidas pelos escreventes a partir da interação ativa com as vozes reportadas para a defesa de um ponto de vista sobre o tema: "O movimento imigratório para o Brasil no século XXI". Desde 2009, o Enem seleciona candidatos para o ingresso no ensino superior e a redação é o instrumento que solicita a elaboração de um texto dissertativo-argumentativo. A partir do total de 2720 redações cedidas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o corpus foi constituído por 121 redações, segundo dois critérios: (a) a faixa de desempenho de 200 a 1000 pontos, respeitando a diversidade de notas, e (b) as cinco regiões brasileiras, marcando a representatividade regional. A fundamentação teórica deste trabalho centra-se na perspectiva dialógica da linguagem de Bakhtin e o Círculo, principalmente, nos conceitos de "enunciado concreto" e "discurso citado", e na perspectiva ideológica dos estudos de letramento. Assumindo o trabalho com a escrita como um processo de compreensão responsiva, esta pesquisa buscou compreender cada texto como uma réplica ativa à proposta de redação e aos discursos oficiais que dela ecoam. No conjunto das redações, foram identificados quatro tipos de réplicas, que serviram como eixos norteadores para a análise dos modos heterogêneos de como os escreventes responderam às instruções objetivas da proposta e ao tema da imigração: (i) réplicas à exigência dissertativa; (ii) réplicas aos textos da coletânea, (iii) réplicas à imagem da identidade nacional e (iv) réplicas à história oficial do Brasil. Dentro de cada uma dessas réplicas, os resultados mostraram que os escreventes utilizaram procedimentos linguístico-discursivos para a construção do texto argumentativo, tais como: citações nos diferentes estágios composicionais da dissertação, paráfrases associadas à síntese, cópia e imitação dos textos da coletânea, construções referenciais para a caracterização do Brasil, como o uso de slogans, a mobilização de alusões históricas e narrativas da colonização. Tais procedimentos foram usados para assumir posicionamentos polêmicos e não polêmicos, alguns empregados com tendência à reprodução da palavra alheia e outros com vistas a sua reelaboração. Sob um olhar dialógico-axiológico, a análise da apreensão dos discursos de dentro e de fora da coletânea constatou não só o engendramento ativo dos sujeitos na produção de sentidos, mas os seus direcionamentos para os interlocutores presumidos e para as vozes institucionais dentro da rede de relações que envolve o projeto de escrita na avaliação do Enem. As réplicas puderam mostrar percursos discursivos construídos no diálogo com diferentes repertórios sociais, culturais e linguísticos, sinalizando que o trabalho com a escrita não está desvinculado dos contextos sócio-históricos das práticas letradas dos escreventes, refletindo e refratando os modelos normativos. (AU)

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