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Lúpus eritematoso sistêmico: interfaces entre imunodeficiência, terapia imunossupressora e infecções

Processo: 15/20739-6
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de agosto de 2016 - 31 de julho de 2020
Área do conhecimento:Ciências da Saúde - Medicina - Clínica Médica
Pesquisador responsável:Luiz Eduardo Coelho Andrade
Beneficiário:Luiz Eduardo Coelho Andrade
Instituição-sede: Escola Paulista de Medicina (EPM). Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Campus São Paulo. São Paulo , SP, Brasil
Pesq. associados:Alexandre Wagner Silva de Souza
Assunto(s):Lúpus eritematoso sistêmico  Autoimunidade  Doenças autoimunes  Reumatologia 

Resumo

Introdução: Entre as diversas alterações imunológicas descritas no Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), destacam-se as alterações de frequência e função dos variados subtipos celulares, bem como alterações do sistema Complemento e de regulação de imunoglobulinas. Recentemente o nosso grupo encontrou que 28% dos pacientes com LES apresentavam redução dos níveis séricos de imunoglobulinas, predominantemente de IgM e subclasses de IgG, podendo corresponder a um estado de imunodeficiência subclínica. Não está claro se essas alterações são primárias (podendo contribuir para aumento na suscetibilidade à doença) ou secundárias ao processo inflamatório e à terapia ao longo da enfermidade. Os pacientes com LES são frequentemente tratados com medicamentos imunossupressores que visam diminuir a atividade da resposta imune. Alguns pacientes tornam-se vulneráveis a infecções oportunistas em função da imunodepressão ocasionada pelos imunossupressores, enquanto outros pacientes parecem tolerar bem o tratamento imunossupressor. Em conjunto, essas observações sugerem que a heterogeneidade na ocorrência de infecções oportunistas em pacientes lúpicos sob terapia imunossupressora possa estar associada ao status imunológico de base ou à heterogeneidade entre os pacientes quanto à suscetibilidade dos variados subtipos leucocitários às drogas imunossupressoras. Objetivos: O estudo consistirá em dois braços: um para investigar a natureza das deficiências de imunoglobulinas no contexto do LES; outro para analisar possível heterogeneidade na suscetibilidade do sistema imunitário de pacientes com LES submetidos a terapia imunossupressora. Material e Métodos: Haverá recrutamento de 330 pacientes com LES oriundos do ambulatório de doenças reumáticas autoimunes da UNIFESP, 160 parentes de primeiro grau desses pacientes (número estimado) e 60 controles sadios oriundos do banco de sangue, os quais terão coletados o sangue periférico para as diversas análises de acordo com os dois braços do estudo: (1) LES & imunodeficiências humorais, no qual amostras dos pacientes LES, familiares do primeiro grau e controles sadios serão submetidas a dosagem sérica de imunoglobulinas; avaliação do perfil imunofenotípico por citometria de fluxo; ensaio funcional para quantificação da produção de imunoglobulinas in vitro por linfócitos B; avaliação das respostas sorológicas vacinais a antígenos proteicos e polissacarídeos; (2) LES & terapêutica imunossupressora, no qual serão analisados os pacientes com nefrite lúpica em pulsoterapia combinada de ciclofosfamida e metilprednisolona, com avaliação no tempo zero após 4 meses de pulsoterapia, com relação a imunofenotipagem das linhagens linfocitárias (B e T), monocitárias e neutrofílicas, dosagem de imunoglobulinas, função neutrofílica, dosagem de imunoglobulinas e resposta vacinal. Resultados preliminares e perspectivas: Pacientes avaliados no estudo original em 2010 têm sido recrutados para nova avaliação. Já temos resultados laboratoriais de alguns pacientes, observando-se que houve estabilidade dos baixos níveis séricos de IgM ao longo de quatro anos na maior parte desses pacientes, tendo sido o mesmo observado no único indivíduo com deficiência prévia de IgA. Em contrapartida, não foram mantidos os níveis reduzidos de subclasses de IgG em alguns dos pacientes avaliados. Esses achados indicam heterogeneidade nos mecanismos subjacentes às deficiências de imunoglobulinas encontradas no LES, ampliando a complexidade do fenômeno identificado em nosso estudo original. Adicionalmente, a determinação do comportamento individual de uma grande variedade de parâmetros imunológicos ao longo da terapia imunossupressora deverá fornecer subsídios para uma abordagem personalizada e bem sucedida do tratamento dos pacientes com LES. Acreditamos que a análise compreensiva aqui proposta contribuirá sobremaneira para o entendimento da intrigante interface entre LES e imunodeficiência. (AU)