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Hannah Arendt: a crise na educação e o mundo moderno

Processo: 15/19474-8
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de setembro de 2016 - 31 de agosto de 2017
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Educação - Fundamentos da Educação
Pesquisador responsável:José Sergio Fonseca de Carvalho
Beneficiário:José Sergio Fonseca de Carvalho
Instituição-sede: Faculdade de Educação (FE). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Autoridade  Filosofia da educação  Crise  Formação 

Resumo

Refletir sobre problemas e impasses da educação contemporânea a partir da obra de Hannah Arendt engendra uma série de desafios. O primeiro deles diz respeito ao caráter esparso desse tema em sua obra. Embora apareça de forma incidental em alguns de seus escritos políticos ou em breves comentários em suas anotações de cursos e conferências, o tema da formação educacional só foi objeto de uma reflexão sistemática em seu ensaio de 1958, A crise na educação. Nele Arendt se volta tanto para impacto que a crise do mundo moderno teve no âmbito da educação como para o significado político dessa prática social: a iniciação dos recém-chegados - as crianças - num mundo comum que as precede e cuja renovação e durabilidade dependem da natureza do vínculo que elas estabelecerão com esse legado de realizações materiais e simbólicas. A esse primeiro desafio acresce-se o fato de que, além de pouco frequentes, as reflexões de Arendt sobre a educação são extremamente intricadas e costumam pressupor uma razoável familiaridade do leitor com a complexa teia conceitual de que ela se vale em seus escritos, o que tende a dificultar sobremaneira sua compreensão. Ao pensar a crise na educação, Arendt não a desvincula das mudanças políticas e culturais que marcaram a emergência do mundo moderno, mas não deixa de ressaltar o caráter peculiar e inusitado de seus desafios na sociedade contemporânea. A compreensão da especificidade dessa crise - que é do mundo moderno e que se espalha e toma forma própria na educação - exige que pensemos tanto o significado das transformações políticas e culturais que marcam esse mundo como seu impacto no campo específico das relações entre aqueles que já habitam o mundo e aqueles que nele chegam como "estrangeiros": as crianças. Os ensaios aqui presentes procuram elucidar algumas das questões centrais que emergem da leitura de seus escritos, tais como as relações entre educação e o domínio do político, o papel da autoridade nas relações pedagógicas, a natalidade como razão de ser da educação ou ainda os vínculos entre pensamento, julgamento e consciência moral em Arendt. Os textos aqui reunidos foram apresentados no "Colóquio Internacional Hannah Arendt: a crise na educação revisitada" (FEUSP/FAPESP 2013) por pesquisadores nacionais e internacionais que têm colaborado sistematicamente com o Grupo de Estudos em Educação e Pensamento Contemporâneo (GEEPC/ FEUSP - CAPES). Nesse sentido, sua publicação vincula-se a um longo e persistente trabalho de pesquisadores que têm encontrado na obra e no estilo de pensamento da Hannah Arendt um alimento fecundo para pensar a educação em tempos sombrios. (AU)