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As máscaras de Lélio: política e humor nas crônicas de Machado de Assis (1883-1886)

Processo: 16/13987-6
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de setembro de 2016 - 31 de agosto de 2017
Área do conhecimento:Ciências Humanas - História - História do Brasil
Pesquisador responsável:Sidney Chalhoub
Beneficiário:Sidney Chalhoub
Instituição-sede: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Assunto(s):Humor  Literatura  Crônica literária  Escravidão  Política  História do Brasil Império 

Resumo

Este estudo busca compreender a participação de Machado de Assis, sob o pseudônimo Lélio, na série de crônicas coletiva intitulada "Balas de Estalo". Publicada no jornal carioca Gazeta de Notícias entre os anos de 1883 e 1886, a série contou também com outros intelectuais de destaque, entre eles o jornalista Ferreira de Araújo, dono da Gazeta, Valentim Magalhães e o historiador Capistrano de Abreu. A partir da observação dos costumes políticos do império, os cronistas das "Balas de Estalo" ensaiaram respostas para as principais transformações sociais pelas quais o Brasil passava naquele momento. Questionando-se sobre quais instituições políticas resistiriam àquele final do século, muitos desses intelectuais, desejosos por um protagonismo nesse processo, esboçaram em suas crônicas diárias seus projetos para o futuro do país. Em um exercício de "estalar balas com os homens e com as instituições", os narradores de "Balas" tentaram dar sentido a essas mudanças. Produzida na década de 1880, a série representava angústias e incertezas políticas características de um momento histórico repleto de ambiguidades ideológicas que se tornavam cada vez mais evidentes diante de uma sociedade escravocrata que convivia com instituições liberais e representativas. Receita de sucesso, já que foram publicadas ao todo 940 crônicas sob o título de "Balas de Estalo", um dos atrativos da série estava na constituição do grupo de "baleiros" por mais de uma dezena de pseudônimos. Entre os objetivos do livro está a análise da forma pela qual Machado de Assis, ao longo das 125 crônicas que publicou sob o título de "Balas de Estalo", integrou esse grupo e lidou com a construção de uma voz narrativa dentro desta série coletiva, incorporando tanto as características gerais da coluna, quanto os seus próprios projetos políticos e literários. Partindo do pressuposto de que a produção da crônica, diferente do que ocorre nos contos e romances, está sujeita aos acontecimentos cotidianos e à indeterminação histórica, tem-se por objetivo compreender as especificidades desse gênero literário no que diz respeito à construção de seus narradores ficcionais. Dentro dessa perspectiva, podemos destacar a centralidade dos embates que marcaram a aprovação da Lei dos Sexagenários, em 1885, na configuração do narrador criado por Machado de Assis, Lélio. O livro procura mostrar como as experiências do literato frente às disputas e incertezas vividas ante o encaminhamento político para o fim da escravidão no Brasil marcaram profundamente suas escolhas e estratégias literárias dentro da série. Reconhecendo que para muitos desses intelectuais e literatos o texto ficcional é um importante instrumento de intervenção na sociedade, buscou-se compreender como Machado de Assis desenvolveu em suas crônicas um personagem-narrador que dialogasse com as tensões políticas típicas de seu tempo histórico. (AU)