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Deslocamentos e fronteiras: migrações, racismo e questões de gênero

Processo: 16/02223-5
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de outubro de 2016 - 31 de março de 2019
Área do conhecimento:Interdisciplinar
Pesquisador responsável:Zilda Marcia Grícoli Iokoi
Beneficiário:Zilda Marcia Grícoli Iokoi
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Pesq. associados:Antônio Ribeiro de Almeida Júnior ; Eucenir Fredini Rocha ; Fabio Ramazzini Bechara ; Francione Oliveira Carvalho ; Jose Carlos Sebe Bom Meihy ; Luis Guilherme Galeão da Silva ; Maria das Graças de Souza ; Mauricio Cardoso ; Sandra Regina Chaves Nunes ; Silvana de Souza Nascimento
Assunto(s):Racismo  Migrações  Direitos humanos  Fronteiras 

Resumo

Neste projeto de pesquisa, pretende-se realizar estudos comparados sobre a situação dos imigrantes contemporâneos em cidades globais, visando dimensionar as novas tensões sociais, o desrespeito aos Direitos Humanos, o racismo e o sexismo ampliado, a partir dos novos deslocamentos populacionais decorrentes de catástrofes ambientais e das guerras imperialistas que se intensificaram no início da segunda década do Século XXI. Buscar-se-á, também, identificar nas práticas culturais, nos encontros e desencontros entre os grupos que conseguem adentrar em novos territórios e países, e nos processos sociais e políticos decorrentes da mundialização do capital a situação desses migrantes e suas estratégias de convivência em terras estrangeiras. Com o alargamento das fronteiras nacionais, novos problemas foram surgindo e diferentes formas de intolerâncias apareceram na cena pública desafiando a todos a encontrar alternativas de convívio e no aproveitamento da criatividade que desponta em encontros culturais, especialmente na adversidade, novas modalidades de políticas públicas capazes de desafiar as velhas formas estatistas, a partir dos circuitos dos afetos e do perspectivismo desenvolvidos respectivamente por Viveiros de Castro e Vladimir Safatle, como possibilidade do bem viver na diversidade contemporânea.A pesquisa centra-se na Cidade de São Paulo, cujo crescimento, nas últimas décadas, a transformou numa megalópole, segundo classificação da ONU. Ao se tornar um centro receptor de pessoas que migram individualmente em busca de melhores condições de vida, ou do sonho da modernidade, nesta cidade passou-se a reviver problemas como os ocorridos nos séculos XIX e XX, agravados por novas intolerâncias. Escolhemos analisar os casos de latino-americanos, africanos e haitianos. Estes últimos migraram para a cidade, em busca de sua inserção no mercado de trabalho, de melhores possibilidades de estudos e de liberdades e da dura tarefa de reconstruir seus sonhos e lugares depois dos dois terremotos que atingiram seu país, que dava os primeiros passos rumo às liberdades conseguidas com a vitória contra os Doc (François e Jean Claude Duvalier, pai e filho) durante a longa ditadura que assolou o país. No grupo dos latino-americanos, interessa-nos a situação dos bolivianos, por serem em número mais significativo e por representarem distintos processos de deslocamentos, ao longo das décadas de 1970 e 2000: refugiados políticos, imigrantes individuais com experiências profissionais e imigrantes sem documentos, reféns de coiotes, recrutadores de mão de obra para trabalhos forçados. Quanto aos africanos, nos debruçaremos na análise dos migrantes oriundos de Angola, Moçambique e Cabo Verde, Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), que migraram em momentos distintos e por razões diversas.Em parceria com organizações como a Cáritas, o Alto Comissariado para Assuntos de Refugiados da ONU e centros de pesquisa europeus, pretendemos organizar um banco de dados integrado para estudos comparativos. Interessa-nos verificar a seguinte hipótese: a imigração contemporânea, fruto dos novos fluxos do capital, produziu, nas cidades europeias, novos códigos de convivência e de certo modo a necessária revisão dos direitos humanos, ao ter que incorporar povos de línguas, hábitos e cultura distintos dos nacionais até então hegemônicos. Diferentemente, nas megalópoles como São Paulo não foi possível manter os imigrantes em lugares periféricos com maior nível de preservação, pois eles foram inseridos em espaços produtivos fragmentados onde passaram a conviver com trabalhadores desprovidos dos espaços preservados na cidade e, por serem sem documentos de imigração, tornaram-se uma massa de trabalhadores sem direitos e invisíveis para o conjunto da cidade. (AU)