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O musicar local: novas trilhas para a etnomusicologia

Processo: 16/05318-7
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Temático
Vigência: 01 de agosto de 2016 - 31 de julho de 2022
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Antropologia
Pesquisador responsável:Suzel Ana Reily
Beneficiário:Suzel Ana Reily
Instituição-sede: Instituto de Artes (IA). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Pesquisadores principais:
Flávia Camargo Toni ; Rose Satiko Gitirana Hikiji
Pesq. associados:Alice Martins Villela Pinto ; Andre Curiati de Paula Bueno ; Danilo Paiva Ramos ; Edson Tosta Matarezio Filho ; Erica Giesbrecht ; Estevão Amaro dos Reis ; Ewelter de Siqueira e Rocha ; Jasper Morgan Chalcraft ; Lenita Waldige Mendes Nogueira ; Marcos Câmara de Castro ; Marcus Vinicius Scanavez Ramasotti Medeiros de Almeida ; Pedro Paulo Salles ; Priscilla Barrak Ermel
Auxílios(s) vinculado(s):19/09397-7 - Diásporas criativas africanas em São Paulo: fazer musical e patrimônios pós-coloniais, AV.EXT
Bolsa(s) vinculada(s):21/12158-4 - Treinamento Técnico em administração e produção musical, BP.TT
20/14657-5 - O futuro ainda existe: uma experiência do musicar local, BP.IC
19/27545-3 - Eu faço o meu tempo: etnografia do fazer musical íntimo, BP.PD
+ mais bolsas vinculadas 20/10535-2 - A turnê de Bidu Sayão e Radamés Gnattali na década de 1930: a prática de concerto e o estudo da localidade, BP.IC
20/10292-2 - Treinamento Técnico em administração e produção musical, BP.TT
20/09565-4 - Companhia de Folia de Reis Belo Sol de Santa Maria: música e sociabilidade, BP.IC
20/08685-6 - A construção do conhecimento musical grego antigo na atualidade, BP.IC
20/08808-0 - Música, identidade e competição no "Festival de Música del Pacífico Petronio Álvarez": netnografia de uma diáspora afro no litoral Pacífico Colombiano, BP.IC
18/26529-1 - O "musicar local" no jornalismo de Mário de Andrade e Fernando Lopes-Graça, BP.PD
20/03540-0 - Música na rua: a relação mútua entre localidade e musicar na Avenida Paulista, BP.IC
19/22648-9 - Para onde vão e como performam os grupos de "boi da baixada" de São Luís (MA), BP.MS
20/00200-3 - Festas ciganas: uma etnografia sobre música e pertencimento, BP.IC
19/14611-8 - A constituição do corpo e da localidade no Maracatu de Baque Virado: um esforço a partir da antropologia multimodal, BP.IC
19/15602-2 - Vapor: a produção de localidade e as disputas de sentido no Vaporwave, BP.IC
19/13779-2 - Qual memória de um musicar, BP.TT
19/05470-1 - Treinamento técnico em administração e produção de pesquisa em etnomusicologia, BP.TT
19/07496-8 - Estudos de exemplos do musicar local: a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas através de seus programas musicais até 1974, BP.IC
19/08171-5 - Bandas de música e preservação cultural: a Corporação Musical Dona Gabriella de Oliveira Costa em São João da Boa Vista (SP), BP.IC
18/24423-1 - A cena RAP de Campinas, BP.IC
18/06375-0 - Os sistemas de cantoria da Folia de Reis e o Musicar Local: uma perspectiva de compreensão da música a partir da localidade e suas formas de transmissão, BP.DR
18/21384-5 - Pagode da Vó Tiana: linha de frente no samba campineiro, BP.IC
18/10332-4 - O musicar clubber: corpo e subjetividades em cenas de música eletrônica underground de São Paulo e Berlim, BP.PD
18/16204-8 - Uma Bolívia paulistana: o musicar na Praça Kantuta, BP.IC
17/20849-1 - Terrorismos e pontes do musicar local: explorações teóricas e etnográficas sobre gêneros e sexualidades dissidentes na música, BP.PD
17/08316-8 - Musicar no espírito: louvor, comunidade e a produção da localidade entre pentecostais nigerianos na diáspora, BP.PD
17/21107-9 - A incorporação de experiências de participação em musicar local: a pesquisa audiovisual na cena DIY de São Paulo, BP.PD
17/20126-0 - O fazer musical do carimbó de Santarém Novo: música, política e a construção de um patrimônio cultural brasileiro, BP.PD
17/22142-2 - Pagode da 27, a comunidade te canta e ameniza sua dor: uma perspectiva sobre uma roda de samba, seu musicar e sua identidade local, BP.IC
17/23161-0 - Estratégias na manutenção das atividades da Corporação Musical Lira de Serra Negra, BP.IC
17/21063-1 - Taquaras, tambores e violas: relações entre musicar e localidade na construção de narrativas audiovisuais, BP.PD
17/10363-4 - Trilhas do choro: entre o participativo e o apresentacional nas rodas do interior paulista, BP.DR
17/14462-7 - Os moçambiques no Vale do Paraíba - SP: um estudo etnomusicológico da memória negra na cultura popular brasileira, BP.IC
17/09403-1 - A música como instrumento de saúde aplicada em pessoas com a Doença de Alzheimer, BP.IC
16/24445-0 - O musicar de imigrantes e refugiados africanos: pesquisas com antropologia musical e filme etnográfico, BE.PQ - menos bolsas vinculadas
Assunto(s):Etnomusicologia  Etnografia  Musicologia  Música  Repertório  Música folclórica  Música popular  Relações interpessoais 

Resumo

Na etnomusicologia, tende-se a pensar a música a partir de uma perspectiva regional, particularmente em relação a repertórios tradicionais e populares, posto que, de modo geral, associa-se estes repertórios a suas origens geográficas e/ou étnicas (e.g., movimento nativista gaúcho, música tradicional irlandesa, gamelão javanês etc.). No entanto, em 1989 a antropóloga inglesa Ruth Finnegan publicou o livro The Hidden Musician: Music-making in an English Town, um estudo meticuloso das práticas musicais na cidade de Milton Keynes, Reino Unido, uma cidade planejada, fundada nos anos1970. Apesar de muitas destas práticas estarem aparentemente invisíveis, devido ao seu caráter amador e "local", Finnegan calculou que aproximadamente 5% dos habitantes de Milton Keynes estavam envolvidos regularmente em atividades musicais performativas. Entre os gêneros de "música local" que ela identificou na cidade figuravam: a música folclórica inglesa, particularmente o repertório associado ao movimento de revitalização das tradições musicais britânicas (folk music revival), mas também as bandas de música (brass bands) da região, os vários corais e orquestras locais, as bandas de rock e pop e até o movimento "country and western", bastante popular em Milton Keynes na época do seu estudo. Se estivesse fazendo a pesquisa hoje, certamente incluiria os "samba bands", os gamelões, os grupos de dança do ventre, entre outras práticas globalizadas que hoje fazem parte do cenário musical de muitas cidades britânicas. Seu trabalho mostra como atividades musicais locais no mundo atual podem envolver estilos cujas origens transcendem os limites da localidade. No entanto, agregam pessoas que vivem e transitam num mesmo espaço geográfico. E mais: Finnegan argumentou que a música local tem papel central na organização da vida social da localidade. Está presente nos casamentos, formaturas, cerimônias religiosas, festas cívicas, vida noturna; enfim, são raros os eventos sociais comunitários em que não há música e em muitos destes contextos, ela é proporcionada por habitantes da localidade. Os estudos de Finnegan centraram-se sobre mundos musicais ligados à performance musical. No entanto, aqui voltamo-nos ao universo mais amplo de práticas musicais, ou do "musicar", termo adotado como tradução do campo semântico da palavra "musicking", cunhada por Christopher Small (1989). Para Small, musicking - ou o musicar - engloba qualquer forma de engajamento com música. Assim, a performance musical é uma forma de musicar, mas musica-se também ao ouvir música, ao falar sobre música, ao fazer o download de uma música ou mesmo ao participar da organização de um show musical, ou no engajamento com tarefas associadas ao comércio musical.Como Finnegan, contudo, privilegiamos as escolhas musicais feitas por pessoas atuando no domínio local, posto que entendemos que esta perspectiva antecipou alguns dos temas que hoje animam os debates na etnomusicologia, tais como: os estudos de cenas musicais, independentemente das supostas origens do estilo em questão; a construção musical da identidade; música na vida cotidiana, um tema que engloba formas de música gravada, além da performance propriamente dita; amadorismo musical e o fazer musical comunitário; globalização, localização e glocalização musical, entre outros. Apesar de sua disparidade, todos esses temas evocam, de alguma forma, o que Arjun Appaduai chamou de "a produção da localidade", sendo a localidade compreendida como valor que se realiza nas interações sociais e suas formas de mediação, criando - e sendo criada por - relações entre pessoas e os espaços em que atuam e transitam, seja fisicamente, seja de forma imaginária. Propomos, portanto, que um enfoque sobre práticas musicais locais - ou o musicar local - tem o potencial de criar um novo paradigma para as musicologias, perspectiva esta que engloba e resume alguns dos principais debates contemporâneos. (AU)

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