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Guerra dos lugares: a colonização da terra e da moradia na era das finanças

Processo: 16/06530-0
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no exterior
Vigência: 01 de outubro de 2016 - 30 de setembro de 2017
Área do conhecimento:Ciências Sociais Aplicadas - Arquitetura e Urbanismo - Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
Pesquisador responsável:Raquel Rolnik
Beneficiário:Raquel Rolnik
Instituição-sede: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Financeirização  Política fundiária  Política habitacional  Política urbana  Economia política  Habitação  Publicações de divulgação científica  Livros 

Resumo

A propriedade imobiliária (real estate) em geral e a habitação em particular configuram uma das fronteiras mais novas e poderosas da expansão do capital financeiro nas últimas décadas. A crença de que os mercados podem regular a alocação da terra urbana e da moradia como forma mais racional de distribuição de recursos, combinada com produtos financeiros experimentais e "criativos" vinculados ao financiamento do espaço construído, levou as políticas públicas a abandonar os conceitos de moradia como um bem social e de cidade como um artefato público. As políticas habitacionais e urbanas deixaram de ser um meio de distribuição de riqueza, bem comum que a sociedade concorda em dividir ou prover para aqueles com menos recursos, para se transformarem em mecanismo de extração de renda, ganho financeiro e acumulação individual de riqueza. Esse processo resultou na despossessão massiva de territórios e na criação de pobres urbanos "sem-lugar", além de ter aumentado os níveis de segregação nas cidades. Tomando a década de 1990 como ponto de partida e a crise financeira atual como seu primeiro colapso internacional de grande magnitude, a tese oferece um panorama global da mudança de paradigma em direção à colonização da terra urbana e da moradia pelas finanças globais. A primeira parte descreve a financeirização da moradia em diferentes contextos nacionais, tentando apontar para as diversas versões das políticas adotadas. A segunda parte tem foco nos mecanismos por meio dos quais as formas de posse das maiorias urbanas se tornam cada vez mais inseguras, abrindo caminho para a hegemonia da propriedade individual como o único modelo existente. Ambas as partes usam cidades do Norte e do Sul globais como exemplos. A terceira parte analisa o mesmo processo abordado nas partes anteriores, mas com foco específico no caso brasileiro. (AU)