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Intelectuais russos, cultura política e violência. história & literatura

Processo: 16/22746-2
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Pesquisador Visitante - Brasil
Vigência: 15 de março de 2017 - 14 de junho de 2017
Área do conhecimento:Ciências Humanas - História
Pesquisador responsável:Bruno Barretto Gomide
Beneficiário:Bruno Barretto Gomide
Pesquisador visitante: Daniel Aarao Reis Filho
Inst. do pesquisador visitante: Universidade Federal Fluminense (UFF). Instituto de Ciências Humanas e Filosofia (ICHF), Brasil
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Violência  Rússia  Cultura política  Intelectuais  Literatura 

Resumo

Pretendo empreender, como Professor Visitante, no ano de 2017/2018, estudos sobre as relações dos intelectuais russos com a questão da violência. Serão tomados como referências principais os percursos de Alexandre Herzen e Isaac Babel. Tais autores tiveram projeção na época em que viveram e continuam suscitando interesse e polêmica. Seus textos são expressivos da sociedade em que viveram e pertinentes, isto é, adequados, para a análise a que me proponho. Em Alexandre Herzen, é bem estabelecido o questionamento radical do emprego da violência que o levou, sintomatica e simbolicamente, ao completo isolamento político. O que não impediu, mais tarde, o resgate, embora com ressalvas, de seu nome e de sua obra pelos revolucionários vitoriosos em 1917. Minha hipótese é que o isolamento político a que se viu reduzido está ligado exatamente à sua refutação ao recurso da violência. Em Isaac Babel, em contraste, para além de seu caráter doce e afetuoso ("incapaz de matar uma mosca"), a sedução pela violência e pela força física se manifesta de forma viva, através de seus escritos, em sua admiração por bandidos, pelos fora-da-lei. Como muitos outros intelectuais, russos e estrangeiros, deixou-se fascinar pelo uso da violência, exercida contra um poder considerado injusto, ou por um poder, concebido como revolucionário. Herzen, isolado, morreu no exílio. Babel, desaparecido em condições ainda não esclarecidas, morreu vítima da própria violência que admirava. Em contraponto, N. Tchernichevski é o profeta e o líder teórico e comportamental do populismo. Sua personalidade asceta enuncia, autoriza - e anuncia - o catastrofismo social e político que se aproxima. Já Pasternak e Ribakov são os narradores melancólicos de uma revolução vitoriosa que se perdeu. O primeiro anuncia profeticamente esta perda. O segundo constata as ruínas de uma utopia perdida na violência que invocou e suscitou, e que praticou - em nome dos ideais da Justiça e da Igualdade. (AU)