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O índio transnacional

Processo: 16/26118-6
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Pesquisador Visitante - Internacional
Vigência: 08 de março de 2017 - 07 de abril de 2017
Área do conhecimento:Ciências Sociais Aplicadas - Comunicação - Teoria da Comunicação
Pesquisador responsável:Esther Império Hamburger
Beneficiário:Esther Império Hamburger
Pesquisador visitante: Robert Philip Stam
Inst. do pesquisador visitante: New York University, Estados Unidos
Instituição-sede: Escola de Comunicações e Artes (ECA). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Cinema  Cultura (sociologia)  Intertextualidade  Intercâmbio de pesquisadores 

Resumo

Esse projeto a ser desenvolvido na universidade de São Paulo emerge do meu interesse duradouro pela questão do papel cultural e mediático das representações dos povos indígenas das Américas no cinema internacional e na teoria social. Na intersecção entre estudos culturais/de mídia e história intelectual, meu projeto analise a figura do "Índio" como objeto de projeções nacionais diversas, e como emblema de normas sociais alternativas. Reunindo minha formação em Literatura Comparada anglo-americana, francesa, portuguesa e brasileira, e em estudos de cinema e mídia, esse projeto procura dar conta de questões como: Porque países como o Brasil e os Estados Unidos, onde vastas populações indígenas foram reduzidas a ínfimas "minorias"atribuem ao "Índio" papel tão significante no que imaginam como identidades nacionais? Porque o que Doris Sommer denominou "fundações ficcionais" da América Latina contemplam romance heterossexual fecundo entre homens europeus e mulheres indígenas como a matriz geradora da identidade nacional, enquanto ficções indígenas anglo-americanas (e algumas alemãs) privilegiam relações homo-sociais entre homens (Robinson Crusoé e Sexta-Feira, Natty Bumpo e Chingachgook, Shatterhand e Winnetou)? Meu livro Multiculturalismo Tropical: Uma Historia Comparativa da Raca na Cultura e no Cinema Brasileiros (EDUSP, 2006) abordou principalmente as representações de Brasileiros Afro-descendentes no cinema, mas ele também incluiu uma breve topologia de retratos de Brasileiros nativos configurando uma rica galeria de tipos e estereótipos. Embora raramente demonizados como selvagens perigosos como tipicamente ocorreu no cinema Hollywoodiano, o índio brasileiro foi idealizado e alegorizado no cinema e na cultura popular. Em vez de abordar exclusivamente o cinema, como o trabalho anterior, esse projeto pretende explorar um espectro midiático mais amplo que incluiria não somente o cinema, mas também o teatro (o Hamlet antropofágico do Teatro Oficina), a música popular ("O Índio" de Caetano e até rap em Tupi), e teoria social-antropológica (i.e. o trabalho de Eduardo Viveiros de Castro, Ailton Krenak, Manuela Carneiro da Cunha, Betty Mindlin, entre muitos outros). O projeto pretende também ampliar a abordagem anterior em meu trabalho para além da comparação bi-nacional entre Estados Unidos e Brasil, para uma ênfase mais ampla transoceânica e transhemisférica no "Atlântico vermelho" e a circulação da imagem do Índio, mais em relação ao Brasil, mas também em um espectro geográfico transnacional que inclui a América Latina, França, Estados Unidos e de maneira menor, a Alemanha. (AU)