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O galope nordestino diante do parque industrial: O projeto estético do Quinteto Armorial no Brasil Moderno.

Resumo

Esta pesquisa tem por objetivo compreender quais foram as balizas para a criação musical do Quinteto Armorial - o qual teve o seu desenvolvimento durante a década de 1970 e pertenceu ao Movimento Armorial -, tanto em questões estéticas e de técnicas musicais, quanto em seus aspectos históricos e sociais. Esse movimento teve como cerne, no âmbito musical, a elaboração de uma música de câmara nacional a partir da fusão entre sonoridades ditas populares do sertão nordestino e de cânones da tradição da cultura erudita europeia. No entanto, a modernização urbano-industrial do momento histórico vivenciado pelo movimento e, consequentemente, pelo Quinteto Armorial, encontrava-se em um amplo processo de consolidação, propiciando debates entre diversos projetos nacionais em prol do que deveria ser cultura brasileira: se integrada à lógica moderna e de mercado e/ou se voltada ao retorno às nossas tradições. De acordo com os armorialistas, a música popular veiculada pelas grandes indústrias fonográficas era fundamentalmente comercial e, por isso, deveria ser questionada pelo fato de não se preocupar com a autenticidade nacional. Vale ressaltar que o caráter insólito do mundo moderno estabelecia relações mais dinâmicas - e mesmo contraditórias - em território brasileiro; sendo assim, a relação entre tradição e modernidade foi pauta de discussão para vários artistas e intelectuais, sendo os armorialistas alguns deles. De acordo com o Armorial, principalmente na perspectiva de seu mentor, Ariano Suassuna, alguns elementos da modernidade tinham o potencial de colocar em risco características mais tradicionais, de modo à desconfigurar nossa identidade (fosse ela nordestina ou nacional) e não valorizar devidamente nossas heranças/raízes. Nesse sentido, buscamos compreender como se construiu a musicalidade do Quinteto Armorial, que se direcionou a elaboração de um material sonoro mais artesanal e muito próximo do que já tinha defendido Mário de Andrade. (AU)