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Individuação espiritual e e hermenêutica imaginal: Henry Corbin e a perspectiva heideggeriana

Processo: 16/25296-8
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de abril de 2017 - 30 de setembro de 2018
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Filosofia
Pesquisador responsável:Olgária Chain Féres Matos
Beneficiário:Olgária Chain Féres Matos
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Hermenêutica  Individuação  Sufismo  Fenomenologia (filosofia)  Filosofia mística  Publicações de divulgação científica  Livros 

Resumo

A presente tese focaliza a questão da individuação espiritual na obra de Henry Corbin, valendo-se de pontos da obra de Heidegger que iluminam essa questão. Heidegger foi um dos filósofos que mais influenciaram Corbin, sendo que este foi o primeiro tradutor de Heidegger para o francês. No entanto, não é o propósito da tese demonstrar essa influência, embora muitas vezes o faça. O que importa é se valer das idéias de Heidegger que parecem equivaler às de Corbin, para ajudar-nos na análise da questão do exílio e da individuação. Conceitos de Heidegger tais como hermenêutica, fenomenologia, o Dasein, o Ser, a Superação da Metafísica, o Impessoal (das Man), a decisão pela Autenticidade, pelo ser si-mesmo mais próprio, colocam-se em cena ao longo da tese para colaborar com o aprofundamento da compreensão da individuação espiritual em Corbin. Parto da questão do exílio da alma em Corbin e nos místicos que este representa, tentando primeiramente levantar a etiologia de tal exílio, de tal disjunção alma-mundo. Para isso, lanço mão não só de Heidegger, mas também de Husserl, que foi bastante importante para Corbin. Em seguida, abordo, a partir da hermenêutica e da fenomenologia, a noção de imaginal e de hermenêutica espiritual, que equivale a uma interiorização e a uma integração do mundo na alma. Para isso, valho-me das noções de tempo e espaço na mística oriental de Corbin assim como na filosofia de Heidegger. O percurso desta primeira parte vai do exílio da alma no mundo do espaço quantitativo ao mundo vivido na alma, ou seja, a perspectiva da saída do exílio enquanto um retorno ao mundo da alma. A segunda parte, aborda o conceito de alma em Corbin e na mística sufi, que possui um caráter dual e pressupõe o conceito de "anjo" do sufismo, assim como o de Pessoa, que foi herdado por Corbin de Berdiaev, para então justapô-los ao conceito de Dasein de Heidegger e a verificação dos pontos onde os conceitos de Dasein e de Pessoa se encontram e se equivalem. A ideia de personalismo e autenticidade contrapõe-se em ambos autores ao nihilismo e ao Impessoal que oprime o homem moderno e o atira no exílio. Esta crise é apresentada na tese como um mundo sem alma assim como um mundo onde prevalece o esquecimento do ser, sendo que as indicações de superação de Heidegger e Corbin apontam para direções similares e às vezes complementares. A saída do Exílio tem como condição a tomada de consciência das consequências da despersonalização do mundo, do empobrecimento espiritual, e do perigo que o homem está correndo de desaparecer enquanto homem, enquanto Pessoa. A superação da crise, o retorno à casa, aparece em ambos ligada à capacidade de desconstrução de qualquer objetivação e na neutralização do caráter reificador e dominador do pensamento, que concorrerão para a reintrodução do transcendente, do inabarcável e misterioso, do espiritual na cotidianeidade e na visão de mundo do homem moderno. (AU)