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Mecanismos celulares e moleculares da disfunção vesical secundária à obstrução

Processo: 16/14146-5
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de fevereiro de 2017 - 31 de janeiro de 2019
Área do conhecimento:Ciências da Saúde - Medicina - Cirurgia
Pesquisador responsável:Cristiano Mendes Gomes
Beneficiário:Cristiano Mendes Gomes
Instituição-sede: Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP). Secretaria da Saúde (São Paulo - Estado). São Paulo , SP, Brasil
Pesq. associados: Carlos Henrique Suzuki Bellucci ; Thiago Souto Hemerly
Assunto(s):Urologia  Próstata  Músculo liso  Hiperplasia prostática 

Resumo

A obstrução infravesical (OIV) é uma causa frequente de distúrbios miccionais em pacientes de todas as idades. As manifestações clínicas associadas à OIV são muito variadas, denotando a variedade de respostas patológicas da bexiga à obstrução. Tal resposta depende de fatores diversos, como o momento da obstrução (durante o desenvolvimento embrionário, na infância ou no adulto), a duração do processo obstrutivo (aguda ou crônica), o tipo (constritiva ou compressiva) e a sua severidade (parcial ou completa).O conhecimento dos processos obstrutivos que resultam em OIV em seres humanos e o estudo dos modelos animais de OIV (utilizados para avaliar os efeitos da OIV na função vesical) são importantes para ajudar a compreender os mecanismos fisiopatológicos da OIV e as sequelas vesicais da mesma.A identificação destes aspectos relacionados à OIV poderá contribuir para o desenvolvimento de métodos terapêuticos que minimizem as sequelas vesicais, além de criar mecanismos para avaliar o potencial de recuperação vesical após a remoção do processo obstrutivo.Em adultos, a causa principal de OIV é a hiperplasia prostática benigna (HPB), uma das condições patológicas mais frequentes em homens acima dos 50 anos cuja prevalência aumenta progressivamente com a idade. Pode causar um importante impacto na saúde e na qualidade de vida dos pacientes e constitui-se na segunda maior indicação de cirurgia nesta população. Outras causas frequentes são contratura do colo vesical, estenose uretral, câncer de próstata e distúrbios vésico-esfincterianos de causa neurogênica.Em resposta à obstrução, o músculo liso vesical (detrusor) sofre um processo de remodelamento que resulta na hipertrofia detrusora, necessária para compensar a necessidade de maior contratilidade para superar o aumento da resistência uretral durante a micção. Com a persistência do processo obstrutivo, o detrusor pode passar a um estágio de descompensação, resultando em permanente incapacidade de contração. Poucos estudos em seres humanos foram feitos a respeito de vários dos aspectos da fisiologia e morfologia vesical que se encontram alterados nos modelos animais de OIV.Serão incluídos no estudo cinquenta pacientes com indicação de cirurgia aberta (prostatectomia transvesical - PTV) para o tratamento da hiperplasia prostática benigna e trinta pacientes com bexiga neurogênica com indicação de cirurgia ampliação vesical. A prostatectomia transvesical e a ampliação vesical serão realizadas de maneira clássica e rotineira, por uma equipe cirúrgica da Divisão de Clínica Urológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Um fragmento vesical interessando todas as camadas da parede da bexiga e medindo 2,0 x 0,5cm será obtido de uma das bordas da incisão vesical imediatamente antes de se iniciar o fechamento da bexiga.Estudos histoquímicos e imunohistoquímicos serão conduzidos para avaliar a expressão de colágeno no detrusor, proporção músculo liso: matriz extracelular e proporção dos dois tipos mais importantes de colágeno na bexiga (Tipo I:Tipo III); a expressão dos tipos de colágeno será também avaliada em nível de RNA-m pelos métodos de reação de cadeia em polimerase-transcriptase reversa (RT-PCR) e eletroforese em gel agarose (SDS-PAGE). A dosagem tecidual de fator de crescimento neuronal será realizada através de imunohistoquímica (PROMEGA NGF Emax®). A dosagem tecidual do fator induzível pela hipóxia 1± será realizada através de imunohistoquímica (SIGMA monoclonal Anti-HIF-1±). O estudo da presença e quantificação das células intersticiais de Cajal será realizado através do marcador imunohistoquímico c-Kit.As alterações celulares e moleculares observadas serão comparadas entre os grupos, no intuito de investigar suas associações com o processo de OIV, alterações da complacência vesical e presença de hiperatividade detrusora. Correlacionaremos tais alterações estruturais com os sintomas e achados urodinâmicos. (AU)