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Semiótica existencial: bases teóricas e metodologia da pesquisa

Resumo

A visita de Landowski terá como temário uma semiótica existencial. Considerando os mais de sessenta anos de início do projeto científico de Greimas, Landowski vem postulando uma semiótica viva. Na sua perspectiva almeja que a disciplina, em primeiro lugar, sirva a qualquer coisa, em especial, destine-se aos homens em suas experiências diárias de construção de sentido. Para o aparato teórico estar ao alcance de todos, faz-se necessário uma formação dos semioticistas mais inseridos nas práticas significantes e mais libertos para atuar em aliança com outras disciplinas.Após considerar as dimensões sensíveis do sentido em sua materialidade específica que é sentida na copresença dos corpos em interação e trabalhado os modos de presença do outro, Landowski dedica-se a construir uma gramática do sensível na qual a estésia desempenha um fazer próprio na construção do sentido. Inserido na dinâmica dos regimes de sentido pelos tipos específicos de interação, enlaçou esses aos tipos de risco que o sujeito assume enfrentar. Sob essa fundamentação teórica, que objetiva dar conta da dinâmica do sentido (Interações Arriscadas, 2014), o pesquisador vem explorando o aparato do fazer sentido em distinção àquele do ter sentido. Da apreensão ao reconhecimento estuda o transito aberto de um ao outro e como esse ir e vir permite uma maior densidade descritiva e analítica ao semioticista. Atento às configurações dos efeitos de sentido experimentados pelos sujeitos em presença, tem insistido nos distintos tratamentos da matéria, à la Françoise Bastide, e incorporado às análises as dimensões estésicas e a patêmicas para dar conta das afetações sensíveis. Em um ação de disponibilizar textos clássicos da semiótica em língua portuguesa o CPS prepara a publicação da tradução de "O tratamento da matéria" de Bastide a ser lançado e debatido por ocasião da visita de Landowski que contextualizará a importância desses estudos na semiótica atual. Com esse escopo teórico, a missão de trabalho de Eric Landowski em São Paulo dar-se-á prioritariamente junto à Pós-Graduação de Comunicação e Semiótica da PUC-SP, onde co-dirige o Centro de Pesquisas Sociossemióticas (CPS) e atuará prioritariamente nas orientações das pesquisas em desenvolvimento que estão situadas nos seguintes eixos: 1) Cidades inteligentes, capital sóciocultural e herança cultural; 2) Territorialidades traçadas pelos fluxos cotidianos populacionais na cidade de São Paulo; 3) Práticas de vida e produção de sentido da metrópole São Paulo: regimes de visibilidade, regimes de interações e regimes de reescritura; 4) Greimas e usos dos aparatos conceituais da semiótica nas áreas de conhecimento do Brasil.Conjugando as várias atuações o pesquisador visitante ainda ministrará um curso intensivo, no qual apresentará e discutirá suas reflexões mais recentes no campo da sociossemiótica, proferirá palestras e conferências em diferentes universidades do Estado de São Paulo, nas quais participará de encontros e reuniões com alunos, no intuito de conhecer e conversar a respeito dos estudos realizados pelos pesquisadores e pós-graduandos, sempre voltado às interligações do fazer semiótica o que lhe possibilita animar contatos interinstitucionais. Seu atuar visa ainda a promover um aprofundamento da metodologia sociossemiótica empregada nos atuais projetos de pesquisa do CPS que têm nos estudos das práticas sociais em ato o seu desafio maior. Além desse trabalho de aspecto durativo pois se prolonga ao longo das investigações com a manutenção do diálogo com o téorico, esse participará ativamente tanto na área científica quanto na de organização do Colóquio Internacional em homenagem ao centenário de nascimento de Algirdas Julien Greimas, a ser celebrado na PUC-SP. (AU)