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Instrução pública e projeto civilizador: o Século XVIII como intérprete da ciência, da infância e da escola

Processo: 17/02016-2
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de junho de 2017 - 31 de maio de 2018
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Educação - Fundamentos da Educação
Pesquisador responsável:Carlota Josefina Malta Cardozo dos Reis Boto
Beneficiário:Carlota Josefina Malta Cardozo dos Reis Boto
Instituição-sede: Faculdade de Educação (FE). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):História da educação  Filosofia da educação  Iluminismo  Jean-Jacques Rousseau 

Resumo

Este trabalho tem por objetivo identificar alguns aspectos que constituíram a dimensão pedagógica do movimento iluminista. Para tanto, mobiliza o conceito de intelectuais, buscando aplicá-lo ao grupo-geração de letrados que vivenciou as transformações ocorridas em meados do século XVIII. Nesse sentido, alguns autores portugueses cujos pensamentos foram considerados matriz das reformas pombalinas serão aqui revisitados: Dom Luís da Cunha, António Nunes Ribeiro Sanches e Luís António Verney. Relativamente ao século XVIII português, procurar-se-á também refletir sobre a dimensão pedagógica da reforma dos estudos maiores levada a cabo na Universidade de Coimbra, em 1772, por ordem de Sebastião José de Carvalho e Melo - Marquês de Pombal. Se, nesse primeiro capítulo, o conceito de ciência será o eixo central, o segundo capítulo abarcará a reflexão rousseauniana sobre a infância e sua intersecção com a interpretação histórica e social de seu autor. Consolidava-se, com a obra rousseauniana, uma nova acepção de criança, que determinaria as representações e mentalidades coletivas das gerações dos dois séculos subsequentes, pois compreender o Iluminismo requereria também indagar sobre os significados de seu olhar para as gerações mais jovens. Finalmente, no terceiro capítulo, procurar-se-á desenvolver uma abordagem comparativa entre a filosofia de história e o plano de educação de Condorcet, que inspirou o relatório apresentado pela Comissão de Instrução Pública da Assembleia Legislativa da França revolucionária, em 1792. A hipótese desse terceiro capítulo é a de que houve um desdobramento da perspectiva de uma história evolutiva e teleológica para uma proposta de organização da instrução pública à luz de crença em progressivo futuro de Luzes a serem, progressivamente, percorridas por etapas sequenciais umas às outras. Sob tal perspectiva, essa rede escolar constituiria o alicerce de uma sociedade compreendida como livre, democrática e tendente à igualdade do ponto de vista das oportunidades. A intersecção entre os três ensaios virá pelo entrelaçamento da reflexão acerca dos intelectuais das Luzes com sua tríplice conquista: uma nova perspectiva perante a ciência, um conceito próprio de infância e um projeto específico de escolarização. Esse tripé seria, para a época, o requisito da construção da sociedade moderna. (AU)