Resumo
A despeito de mais de um século de avanços no tratamento farmacológico, quase metade dos pacientes com Epilepsia não consegue controle satisfatório das crises. Para alguns destes casos farmacorresistentes, a cirurgia pode ser o tratamento indicado. O sucesso cirúrgico, nestes casos, está diretamente associado à correta localização da zona epileptogênica - área do encéfalo responsável pela geração das crises - fazendo com que os exames de Ressonância Magnética (RM) e de Eletroencefalograma (EEG) sejam cruciais para a definição da região cerebral a ser removida. A Esclerose Hipocampal e as displasias corticais são os achados cirúrgicos observados na maioria dos casos de Epilepsia de difícil controle, sendo detectadas como alterações no volume e na intensidade dos diferentes sinais de RM, e padrões típicos observados nos exames de vídeo-EEG. Entretanto, mesmo com o uso de máquinas de RM de alto campo e sequências otimizadas para a confirmação diagnóstica, uma porcentagem considerável dos casos permanece sem a identificação de alterações estruturais. Como consequência, a ressecção completa da zona epileptogênica nem sempre é possível, gerando uma porcentagem significativa de pacientes com controle insatisfatório das crises. A falta de controle das crises tem grande impacto na qualidade de vida dos pacientes, uma vez que, além do impacto das crises per se, elas são acompanhadas por importantes déficits cognitivos e, em uma parcela significativa dos pacientes, por comorbidades psiquiátricas como a Depressão e a Psicose Interictal. Os avanços tecnológicos mais recentes, como máquinas de ressonância de maior campo e imagens construídas através de dados de EEG (Electrical Souce Imaging, EEG de alta densidade) são promissores para a melhor definição da zona epileptogênica. Ademais, estudos experimentais no campo da eletrofisiologia e optogenética têm contribuído para o melhor entendimento da geração e sincronização da atividade neuronal que leva à ocorrência das crises, bem como ao aparecimento de comorbidades associadas. Publicações recentes de vários centros e de nosso grupo vêm demonstrando, em pacientes com epilepsia farmacorresistente, diferentes padrões de alteração estrutural, neuroquímica e de conectividade entre estruturas cerebrais associadas às comorbidades cognitivas e psiquiátricas. Estudos desta natureza são essenciais para o desenvolvimento de futuras propostas terapêuticas para esses pacientes. Desta forma, o presente projeto temático tem como foco central as epilepsias farmacorresistentes e as consequências cognitivas e comportamentais decorrentes desta condição. Assim, os estudos propostos foram divididos em 3 grupos de projetos a saber: a) o desenvolvimento de estudos voltados a um melhor diagnóstico e tratamento de pacientes com epilepsia farmacorresistente, particularmente aqueles com exames de imagem normal, mas também aqueles com lesões identificadas por exames de neuroimagem de rotina; b) o desenvolvimento de estudos voltados à melhor caracterização das alterações estruturais e funcionais (por neuroimagem, e por abordagens neuropatológicas e moleculares) em pacientes farmacorresistentes apresentando comorbidades, particularmente aquelas relacionadas a déficits cognitivos e alterações comportamentais; e c) o desenvolvimento de estudos em modelos animais, para um melhor entendimento dos mecanismos subjacentes ao aparecimento de crises e o desenvolvimento de abordagens eletrofisiológicas e de optogenética com vistas a modular a ocorrência de crises e, eventualmente, a ocorrência de alterações comportamentais e cognitivas nestes modelos animais. (AU)
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